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Cuiaba - MT / 14 de setembro de 2026 - 19:47

Anthropic revela que sua IA já foi usada para espionar governos e desenvolver armas

Na quinta-feira, 10 de setembro, a Anthropic publicou o quarto relatório da sua equipe de inteligência de ameaças. O documento cataloga o uso indevido de Claude, o modelo de IA da empresa, entre dezembro de 2025 e agosto de 2026, em sete categorias: operações cibernéticas, vigilância, manipulação da opinião pública, armas convencionais, uso biológico, fraudes e destilação ilícita. Dois dias antes, um ex-pesquisador da própria Anthropic havia se demitido em público, no X, dizendo que “as pessoas que constroem IA acreditam sinceramente que ela poderia matar todos nós até o fim da década.” No dia seguinte, a líder de alinhamento da empresa entrou na conversa e confirmou.

O caso mais denso de espionagem cibernética é atribuído a um ator russo cuja atividade a Anthropic vincula ao grupo Midnight Blizzard, associado publicamente ao serviço de inteligência externa da Rússia (SVR). O grupo automatizou toda a cadeia de ataque: reconhecimento, aquisição de infraestrutura, phishing, persistência e exfiltração de dados. Atingiu mais de vinte organizações, concentradas na Ucrânia e na Europa, entre ministérios, embaixadas, think tanks e fabricantes de drones militares. Em uma das operações, os atacantes roubaram o kit de desenvolvimento de software (SDK, na sigla em inglês) completo de um sistema de visão computacional para drones e passaram dias em engenharia reversa. Também comprometeram três fornecedores de Wi-Fi de hotéis para redirecionar o tráfego de hóspedes de interesse.

Do lado chinês, um grupo atribuído a operadores em Changsha (província de Hunan) incluía dois estudantes de graduação numa escola de computação da região, um deles com estágio anterior na empresa chinesa de cibersegurança Sangfor e em processo seletivo, à época, para uma vaga de operações cibernéticas ofensivas na QiAnXin. O grupo montou uma fábrica autônoma de códigos para invadir sistemas. Um dos fluxos, rodando dia e noite produziu mais de uma dúzia de vulnerabilidades zero-day (falhas ainda desconhecidas pelo fabricante) em um único mês. O grupo atingiu cerca de cinquenta organizações globalmente, entre elas uma agência de governo no Sudeste Asiático da qual extraiu registros de cidadãos com nomes, telefones e endereços.

Em uma terceira frente, afiliados do coletivo criminoso ShinyHunters extraíram mais de um terabyte de dados de um provedor de tecnologia (com centenas de milhares de identidades nacionais e milhões de registros de cartão), acessaram dezenas de milhões de registros de passageiros em uma companhia aérea e alegaram poder controlar remotamente a corrente de carregamento de veículos elétricos instalados nas casas dos clientes de uma empresa de energia.