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O gato que virou o 'quarto diretor' de colégio em Apucarana (PR)

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O gato que virou o 'quarto diretor' de colégio em Apucarana (PR)

No dia 4 de outubro, as lentes atentas dos eleitores de Apucarana, no interior do Paraná, capturaram uma cena inusitada: um gato caminhando com tranquilidade entre as urnas do Colégio Estadual Professor Luiz Izidoro Cerávolo. O que para muitos visitantes era apenas um felino curioso, para a comunidade escolar tratava-se de Izidoro, o verdadeiro “dono” do pedaço. Presente na instituição desde 2019, o animal comunitário não apenas viralizou nas redes sociais, como também revelou uma engrenagem de acolhimento e responsabilidade coletiva que envolve professores, alunos e funcionários.

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							O gato que virou o ‘quarto diretor’ de colégio em Apucarana (PR)

AutorFoto: Lis Kato/ TNOnline

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A fama repentina gerou até confusão sobre o gênero do animal, prontamente esclarecida pelos seus tutores informais. “Muitas pessoas confundem com fêmea porque ele é castrado, mas é um menino mesmo. Todo mundo praticamente o adotou”, explica a professora de artes Alessandra Rizzo, considerada a “mãe” do felino. Com passe livre, o gato dita as próprias regras: entra em salas de aula, desfila literalmente pela mesa dos professores na coordenação e, especialmente, na sala da direção, onde costuma passar as tardes dormindo nos sofás.

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Longe de ser apenas um animal de estimação, Izidoro desempenha um papel terapêutico no ambiente acadêmico. Em dias frios, é comum vê-lo acomodado no colo de estudantes mais introvertidos, funcionando como um ponto de equilíbrio emocional na pressão do dia a dia escolar.

A professora de matemática e educação especial Rosângela Barreto Macedo Bege define a presença do felino como essencial. “O Izidoro faz parte da nossa saúde mental. Ele consegue, com aquele jeitinho carinhoso, deixar a gente mais calma”, afirma. Apesar do tom dócil, ela entrega o comportamento folgado do morador ilustre. “Ele é malandrão. A gente está ali trabalhando na parte administrativa, ele passa por cima da mesa e vem no colo sem pedir licença.”

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O nível de exigência de Izidoro é tamanho que ele chega a reivindicar espaços físicos. A professora de enfermagem Leonice Martinha, mesmo tendo alergia a gatos, não resiste ao carisma do animal, embora reconheça seu temperamento dominador. “Se você não deixa ele entrar na bolsa, ele arranha. Se você está sentada no lugar dele, ele chega perto, mia e bate em você para você sair”, diverte-se.

Preocupada com a saúde do felino e utilizando seus conhecimentos da área da saúde, Leonice notou que Izidoro bebia água parada nos bebedouros convencionais. Para prevenir a dengue no colégio e evitar problemas renais comuns em gatos, ela decidiu investir. “Resolvi presenteá-lo com uma fonte giratória. Ele agora tem água saudável e fresquinha.”

O cuidado com Izidoro — e com outros animais que vivem no entorno, como famílias de gambás que ocasionalmente dividem a ração sem gerar brigas — não cessa quando o sinal toca na sexta-feira. A escola providenciou a castração, e os funcionários realizam vaquinhas constantes para garantir ração de qualidade, sachês e atendimento veterinário.

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Nos fins de semana e feriados, a responsabilidade recai sobre José Mauro Favaro, da equipe de manutenção. Sem animais de estimação em casa, Mauro encontra no colégio a companhia felina. É ele quem garante a alimentação e administra os remédios de verme a cada seis meses.

Além de Izidoro, a escola abriga uma gata branca e arisca, batizada por alguns de Princesa e por outros de Luísa ou Branquinha — como Mauro a chama —, completando, assim, o nome do patrono do colégio, Luiz Izidoro Cerávolo. É com ela que Mauro tem a relação mais próxima. “Ela fica me esperando lá no portão todo dia. Dá uns pulinhos para cima quando me vê. Nos fins de semana, aonde eu vou, os dois vão atrás. A gente pega amor, faz muito bem”, relata o funcionário, que também tem a missão de resgatar Izidoro quando ele acidentalmente fica trancado nas salas, disparando os alarmes de movimento.

A identidade de Izidoro fundiu-se de tal forma com a imagem do colégio que a direção decidiu dar um passo além: transformá-lo em símbolo institucional. O colégio confeccionou uma fantasia de pelúcia em tamanho real do gato, que hoje atua como mascote oficial, recebendo alunos em matrículas, eventos esportivos e cerimoniais. Na festa “Ceravolia”, o mascote humano de Izidoro chegou a ganhar medalha de melhor fantasia.

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Para o diretor Flavio Emiliano dos Santos Silva, a brincadeira reflete a essência da escola. Ele brinca que a gestão do colégio é dividida em quatro: “O Diego, o Fernando, eu e o Izidoro. Tudo que envolve a escola, uma novidade ou uma pessoa diferente, o Izidoro aparece para confirmar se está bem ou não”.

Mais do que um sucesso passageiro nas redes sociais por conta das eleições, a presença constante e cuidada dos animais reflete o projeto pedagógico da instituição. “Faz da escola algo além da parte mecânica do aprendizado. Ela se torna um organismo, uma ideia de família onde todos são acolhidos, trazendo empatia e carisma para todos nós”, conclui o diretor.

noticia por : UOL

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