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Cuiaba - MT / 23 de setembro de 2026 - 22:54

Haddad pede para eleitor deixar 'paixões políticas', e Tarcísio evita tema de privatizações na TV

A menos de duas semanas do primeiro turno, as campanhas eleitorais de Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) para o Governo de São Paulo adotam estratégias diferentes para lidar com suas vidraças na reta final da propaganda eleitoral na TV.

Enquanto Haddad fez menção à baixa popularidade entre os paulistas e pediu para que o eleitor deixe de lado “paixões políticas”, Tarcísio evita mencionar projetos de privatização em meio a polêmicas envolvendo os serviços da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). As peças de campanha foram veiculadas nesta quarta-feira (23).

Ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Fazenda, Haddad tem como principal desafio a alta rejeição entre os paulistas. A mais recente pesquisa Datafolha sobre a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes mostrou que 48% da população diz que não votaria de jeito nenhum no candidato do PT, patamar similar ao registrado em agosto (47%). Ele tem 29% das intenções de voto no primeiro turno, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Nas peças de campanha durante o horário eleitoral, Haddad tenta reverter esse cenário com críticas a Tarcísio. Nesta quarta, a propaganda citou a ausência do atual governador de São Paulo no debate promovido pela TV Record na segunda-feira (21), com imagens da cadeira reservada ao adversário vazia. O governador justificou citando compromissos oficiais de gestão.

A peça, na sequência, enumera propostas para saúde e segurança pública. Mirando o ponto fraco da campanha do rival, Haddad diz que, se eleito, vai rever os contratos de privatização sob o comando de Tarcísio –Sabesp, pedágios Free Flow e CPTM– e eventualmente reestatizar os serviços se necessário. “Sob o meu comando, o estado vai colocar o interesse do usuário na frente do interesse do setor privado. A Faria Lima vai ter que esperar um pouquinho”, afirma o candidato.

E encerra com um apelo, de olho na alta rejeição: “Se você deixar de lado as paixões políticas e me der uma chance, eu dou a minha palavra: São Paulo será melhor de verdade.”

Já Tarcísio, favorito à reeleição com 49% das intenções de voto, segundo o Datafolha, não menciona o rival, tampouco os projetos de privatização. A peça de campanha tem como narrativa o apoio do governo paulista durante todas as fases da vida, do nascimento à velhice.

A propaganda enumera projetos executados por sua gestão, começando pela educação infantil e capacitação técnica e formal para jovens. Na sequência, traz entrevistas com empreendedores e trabalhadores em multinacionais e, depois, programas de assistência para mães de crianças atípicas, como os Centros TEA. A propaganda, com mais do que o dobro do tempo que a do rival, se encerra com projetos para idosos, como Turismo 60+ e Qualifica 60+.

A estratégia difere da adotada em 2022, quando ainda era pré-candidato ao Governo de São Paulo por decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Então ministro da Infraestrutura, Tarcísio prometeu privatizar a Sabesp ainda em fevereiro, citando ganhos de eficiência, governança e recursos.

A privatização da companhia de água e abastecimento foi realizada em 2024 e reduziu a participação do estado de São Paulo de 50,3% para 18,3%, em uma operação de R$ 14,8 bilhões. Moradores reclamam, sobretudo da redução da pressão noturna na região metropolitana.

Em pesquisa Datafolha de julho deste ano, a maioria (54%) dos eleitores paulistas se posicionou contra a privatização da Sabesp; 31%, a favor, e 15% afirmaram não ter opinião sobre o tema.

Já a privatização das linhas da CPTM também enfrenta críticas de usuários devido a falhas operacionais e um incêndio na linha 12-safira no terceiro dia de operação da concessionária privada Trivia Trens, em julho. Tarcísio, em agosto, recuou nas promessas de desestatização e afirmou que não vai conceder à iniciativa privada as quatro linhas administradas pelo Metrô, dizendo que não fará concessões “por fazer” e que vai reavaliar os impactos operacionais.

A privatização das linhas de metrô enfrenta oposição de 56% dos eleitores da região metropolitana de São Paulo, segundo o Datafolha; 37% apoiam a venda e 7% não têm opinião ou são indiferentes.

noticia por : UOL

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