Álvaro Lins Pereira de Lira (PP-AL), o Alvinho Lira, 20, filho do deputado federal e senador eleito Arthur Lira (PP-AL), será o deputado mais novo da história do Brasil, ajudado por uma lei sancionada no ano passado pelo presidente Lula (PT).
A Constituição de 1988 define que a idade mínima para o cargo de deputado federal é de 21 anos. Mas um projeto de lei proposto pelo senador Romário (PL-RJ), aprovado na Câmara dos Deputados e sancionado pelo governo federal há um ano mudou o entendimento de qual a data vale para contar a idade do candidato.
Até a lei, o candidato deveria ter 21 anos na data da posse, geralmente no primeiro dia útil de fevereiro. A nova lei adota o entendimento de posse presumida, e passa a considerar um prazo de 90 dias a partir da eleição da Mesa Diretora, que também ocorre no primeiro dia de fevereiro.
Alvinho Lira completará 21 anos no dia 17 de março de 2027, 39 dias após a posse.
Antes dele, o deputado eleito mais jovem havia sido Hugo Motta (Republicanos-PB), que tinha 21 anos quando foi eleito em 2010, outro herdeiro de uma dinastia política, esta na Paraíba.
Para deputados que participaram da votação da Câmara, a lei tinha aparente objetivo de beneficiar o filho do ex-presidente da Casa. O projeto foi batizado, à boca pequena, de “Lei Alvinho“. Àquela altura a família Lira já tinha o plano de tornar candidato o filho mais novo.
Arthur Lira tinha 23 anos quando foi eleito vereador em Maceió. A eleição para deputado só chegou em 2010, quando já tinha 41 anos. No domingo (4), foi eleito senador.
Com 172.628 votos, Alvinho foi o deputado mais votado de Alagoas. A campanha mencionou a trajetória do pai, mas se fiou na do avô, o ex-senador Benedito de Lira (1942-2025).
Biu, como é conhecido, morreu no cargo de prefeito de Barra do São Miguel (região metropolitana de Maceió), onde Alvinho teve o primeiro emprego formal na política. Alvinho foi gestor administrativo da prefeitura, com um salário mensal de R$ 8.000, R$ 4.000 a menos do que ganha o prefeito Henrique Alves Pinto (PP), ex-vice de Biu.
Foi a Biu de Lira que Alvinho agradeceu publicamente após a eleição, em um vídeo feito por inteligência artificial em que o avô demonstra orgulho pelo neto. “Essa foi por nós”, escreveu Alvinho.
A Folha pediu entrevista com Alvinho e Arthur Lira por meio de assessores dos candidatos e do Progressistas, entre quarta (7) e sexta-feira (10), mas eles afirmaram que pai e filho não se manifestariam. O único posicionamento ocorreu por nota conjunta enviada à reportagem.
“A histórica vitória conferida pelo povo alagoano amplia o compromisso de ambos com o trabalho, com a presença nos municípios e com as entregas que Alagoas espera”, diz a nota.
“Arthur Lira e Alvinho receberam o resultado das urnas com humildade e enorme senso de responsabilidade.”
Participante de vaquejadas, Alvinho toca com o pai a marca Agropecuária Lira, marca de leilões de gado. O plantel inclui a Nelore Lira, raça de gado batizada com o sobrenome da família.
A campanha do jovem deputado eleito explorou o alcance da família sobre os rincões de Alagoas, e a proximidade dos Lira com os prefeitos locais. Em um dos vídeos, Alvinho diz conhecer o agreste, o litoral e as grotas de Maceió, região habitada pela população de baixa renda da capital.
Membros do PP alagoano e observadores da política local afirmam que “jogar parado” foi o suficiente para fazer Alvinho conquistar uma cadeira na Câmara. Segundo eles, Alvinho fez campanha protocolar, com alguma dificuldade diante das câmeras, mas desenvolto no contato com a população.
Foi uma eleição em que a família Lira varreu o principal clã adversário, dos Calheiros. Na disputa entre os protagonistas locais, Arthur Lira e Marina de JHC (PSDB) foram eleitos senadores, deixando de fora Renan Calheiros (MDB).
Trata-se de derrota no estado. Calheiros é senador desde 1995 e está no quarto mandato seguido, que termina no próximo ano.
João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), foi eleito governador em primeiro turno, derrotando Renan Filho (MDB), filho de Calheiros. Renan Filho segue senador até 2031.
A família Lira ainda vive fissura interna desde processo contra Arthur, após denúncia feita pela ex-mulher, Jullyene Lins, em 2012, por suspeita de ameaça e lesão corporal no âmbito de violência doméstica.
A acusação foi recebida pela corte, mas o caso foi arquivado, considerado prescrito e improcedente.
O ministro Teori Zavascki entendeu à época que, além da prescrição [o suposto caso teria ocorrido em 2007], a vítima, quando ouvida em juízo, mudou a versão dos fatos.
Em 2023, os filhos de Arthur foram à Justiça contra a mãe para terem direito a um imóvel que havia sido repassado durante a divisão do divórcio. Jullyene se separou de Lira no ano em que Alvinho nasceu.
noticia por : UOL






