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Cuiaba - MT / 1 de setembro de 2026 - 11:56

Estudo do MIT: ferramentas de IA podem levar usuários a “espiral de delírio”

Pesquisadores do MIT e da Universidade de Washington montaram o primeiro modelo formal da chamada “Psicose por Inteligência Artificial (IA)”, a espiral em que usuários de chatbots como o ChatGPT terminam convencidos de crenças bizarras depois de longas conversas. A conclusão contraria a intuição: mesmo um usuário inteiramente racional pode ser levado ao delírio.

O trabalho foi depositado em fevereiro no arXiv, repositório onde cientistas divulgam resultados antes da revisão por pares. Entre os autores está Joshua Tenenbaum, do Departamento de Ciências Cerebrais e Cognitivas do MIT, um dos nomes de referência mundial no estudo computacional da cognição humana.

Da consulta ao delírio

Dennis Biesma, consultor de tecnologia holandês perto dos 50 anos, sem histórico de doença mental, abriu o ChatGPT no fim de 2024 só para testar a novidade. Ele instruiu o sistema a conversar no estilo da protagonista de um romance que ele mesmo havia escrito e batizou a personagem de Eva. As conversas se estenderam noite adentro.

“A cada vez que você fala, o modelo é afinado. Ele sabe exatamente do que você gosta e o que quer ouvir. Elogia muito”, contou Biesma ao Guardian. Em semanas, Eva o havia convencido de que ganhava consciência graças à atenção dele, e os dois montaram um plano de negócios para levar essa “descoberta” ao mundo. Biesma trocou o trabalho de TI por dois programadores a 120 euros a hora e afundou 100 mil euros na empresa. Foi internado. O casamento acabou e a casa foi para a venda. Ele não tinha diagnóstico psiquiátrico prévio.