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Cuiaba - MT / 7 de julho de 2026 - 12:12

Copa de 2026 é a mais muçulmana da história

Observadores mais atentos devem ter notado dois gestos se repetirem nesta Copa do Mundo. No fim das partidas, após os gols ou antes de entrar em campo, muitos jogadores erguem as duas mãos e colocam as palmas voltadas para cima, em forma de concha. Ou então, se ajoelham e colocam a testa no gramado. Esses gestos refletem o fato de que esta é a Copa dos muçulmanos.

Não por acaso. Das 48 seleções, pelo menos 12 vêm de países de maioria muçulmana: Marrocos, Argélia, Egito, Tunísia, Arábia Saudita, Qatar, Iraque, Jordânia, Senegal, Irã, Uzbequistão e Turquia.

Mas esse número é apenas a parte mais superficial do fenômeno. Jogadores de muitas seleções europeias são filhos de migrantes ou nasceram, eles mesmos, em outros países. E, neste caso, a enorme presença muçulmana nas ondas migratórias mais recentes para o velho continente também aparece.

O craque da seleção espanhola Lamine Yamal, filho de pai marroquino e mãe da Guiné Equatorial, celebrou o seu primeiro gol nesta Copa fazendo o chamado sujood, ajoelhando-se e se prostrando, com a testa no chão, em sinal de reverência e gratidão a Alá. Em maio deste ano, durante a celebração do Campeonato Espanhol pelas ruas de Barcelona, Yamal desfraldou uma enorme bandeira da Palestina.

O jogador sueco Yasin Ayari, filho de pai tunisiano e mãe marroquina, podia ter jogado pelas seleções da Suécia, Tunísia ou Marrocos. Escolheu o país em que nasceu. Contra a Tunísia, na estreia, marcou um golaço de fora da área aos sete minutos e não comemorou, mas se abaixou em sujood no gramado.

Os exemplos são muitos. Djed Spence tornou-se o primeiro muçulmano a atuar pela seleção principal masculina da Inglaterra. O atacante francês Ousmane Dembélé é um conhecido praticante do islã. Sua mãe nasceu na Mauritânia e tem origem senegalesa; seu pai é natural do Mali. Casou-se em uma cerimônia tradicional com Rima Edbouche, que, apesar das centenas de milhares de seguidores nas redes sociais, costuma preservar o rosto, veste hijab e é discreta quanto à sua vida privada.

A onda muçulmana no futebol europeu também gera disputas e controvérsias. O excelente zagueiro alemão Antonio Rüdiger é um bom exemplo. Rüdiger é filho de um afro-alemão e de uma refugiada de guerra da Serra Leoa. Muçulmano praticante, não esconde suas práticas religiosas em suas redes sociais. Em campo, é conhecido por fazer o gesto do chamado dedo do tawhid, que consiste em erguer o indicador para o alto. No mundo islâmico, este é o gesto que remete à unidade de Deus e da doutrina muçulmana. Em 2024, o ex-editor do tabloide alemão Bild, Julian Reichelt, acusou publicamente o dedo erguido de Rüdiger de ser um gesto do Estado Islâmico, provocando uma enorme reação.

As restrições dos jogadores muçulmanos com bebidas alcoólicas também tiveram que ser contornadas pela FIFA. Em 2018, na Copa da Rússia, o goleiro egípcio Mohamed El-Shenawy, eleito o melhor jogador da partida entre Egito e Uruguai, recusou o prêmio patrocinado pela Budweiser por motivos religiosos. Nesta edição, cujo patrocínio do mesmo prêmio também é de uma marca de cerveja, a FIFA criou duas versões do troféu, uma com a marca e outra sem, que tem sido a opção dos jogadores muçulmanos

Em muitos países europeus, a intolerância religiosa contra muçulmanos é crescente. Mas a recusa em se olhar no espelho fica mais difícil na Copa do Mundo, quando essa marca religiosa salta aos olhos. Esta é uma Copa histórica para o mundo muçulmano e talvez seja reveladora de si mesma para a Europa.


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noticia por : UOL

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