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BYD nacionaliza produção de carros no Brasil e se prepara para exportações no Mercosul

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BYD nacionaliza produção de carros no Brasil e se prepara para exportações no Mercosul


Camaçari (BA)


Em julho de 2025, a BYD inaugurou a fábrica de Camaçari (BA) em meio a questionamentos sobre o que, de fato, seria produzido no Brasil. Passados 16 meses, a empresa confirma a chegada de 17 fornecedores instalados no complexo e apresenta as unidades de pintura, estamparia de peças e soldagem. Os investimentos na região já ultrapassaram os R$ 11 bilhões, conforme dados divulgados pela empresa.

Com as novas etapas fabris, os regimes CKD e SKD —em que os veículos chegam desmontados ou parcialmente montados no país— serão gradativamente substituídos pela produção local. Os carros considerados nacionais começam a ser feitos entre novembro e dezembro, e o índice de 50% de localização deve ser atingido em janeiro.

Três SUVs elétricos cinza alinhados em túnel iluminado com arcos brancos e amarelos. Funcionários trabalham em estações ao lado dos veículos em ambiente industrial.

SUV híbrido flex BYD Atto 2 passa pela verificação final após montagem na fábrica da montadora chinesa em Camaçari (BA)

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Eduardo Sodré/Folhapress

A estratégia abre a possibilidade de exportações para países do Mercosul, cujo acordo prevê um conteúdo nacional mínimo de 35%.

Foram pouco mais de três anos entre o anúncio da compra da fábrica que pertencia à Ford e o início da nacionalização dos carros. O avanço ocorre em uma velocidade jamais vista na indústria automotiva no Brasil, mesmo quando comparado a marcas que já produziam no país e anunciaram novas linhas de montagem.

Por exemplo, o antigo grupo FCA Fiat Chrysler, que hoje é parte do conglomerado Stellantis, anunciou a construção da fábrica de Goiana (PE) em dezembro de 2010. A unidade foi inaugurada em abril de 2015, com a produção do Jeep Renegade.

Alexandre Baldy, vice-presidente executivo sênior do grupo BYD no Brasil, diz que a legislação que concede benefícios tributários às empresas que produzem nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste exige que a montadora seja ágil no cumprimento das etapas previstas na regulamentação.

“Os incentivos têm um prazo de usufruto. Quanto mais eu demoro, menos incentivos recebo”, afirma Baldy.

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Durante a visita ao complexo industrial, nesta quinta (29), foi possível conhecer as novas áreas de pintura e soldagem. Nessas unidades, os trabalhadores passam por treinamento que simula as ações que serão executadas a partir de novembro. Já há carrocerias da picape Mako sendo preparadas, e o lançamento do novo modelo nacional vai ocorrer ainda em 2026. O Brasil será o primeiro mercado do modelo no mundo.

Quando as novas áreas estiverem ativadas, a fabricante irá dominar todo o processo de produção de um automóvel. O objetivo é continuar a crescer e dobrar a produção até 2030, chegando à capacidade de 600 mil veículos produzidos por ano.

A unidade emprega hoje 9.000 funcionários, sendo 8.500 brasileiros e 500 chineses, segundo informação oficial da empresa. Há novas contratações em curso.

O espaço utilizado hoje é bem maior que os 334 mil m² ocupados pela Ford até 2021, quando a empresa encerrou as atividades fabris no Brasil. A BYD está se aproximando de 1,25 milhão de m² em área construída, e pretende chegar a 2,4 milhões de m² ao longo dos próximos anos. O crescimento, contudo, depende da obtenção de licenças.

“O projeto ainda não chegou na metade, chegaremos a 20 mil funcionários”, afirma Baldy. Se for atingido, esse número fará da BYD a maior geradora de empregos diretos entre as fabricantes instaladas no país.

A empresa representa 7% do PIB (Produto Interno Bruto) de Camaçari, com um salário médio de R$ 3.905,85 (24% acima da média na indústria baiana). Até o momento, com a soma dos empregos indiretos, foram geradas 22.080 vagas na região, segundo a Fieb (Federação das Indústrias do Estado da Bahia).

A entidade diz ainda que a massa salarial movimentada em Camaçari pela montadora chinesa é superior a R$ 1,03 bilhão por ano.

O crescimento acelerado traz algumas dificuldades. A empresa tem enfrentado entraves com os pneus para seus carros, sendo necessário estabelecer novos contratos com fornecedores instalados no Brasil. As importações também passam por problemas devido a ocorrências climáticas que têm dificultado o transporte marítimo a partir da China.

Há também pontos mais complexos para a nacionalização, como a produção das baterias. Hoje, a maior parte dos componentes (85%) vem da China. A empresa espera que a exploração de terras raras possibilite a manufatura nacional desses equipamentos, mas ainda não há planos conhecidos na área.

A questão dos minerais deverá ser um tema das conversas da montadora com o governo ao longo do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Baldy afirma que os planos seriam mantidos com qualquer presidente eleito, mas diz também que “foi muito feliz a reeleição do presidente Lula”, devido ao relacionamento diplomático e comercial estabelecido com a China.

Sobre o fim da escala 6×1, o executivo afirma que haverá ajustes. “Não podemos ter queda de produção, a demanda está acima da capacidade produtiva hoje. Respeitamos e seguimos a lei, faremos o que for necessário para nos adequarmos.”

Com os avanços, a BYD começa a visualizar a indústria automotiva com os olhos de uma grande fabricante, e assim passa a ser vista pelos concorrentes.

“Tiramos todos os segmentos da cadeia automotiva da zona de conforto”, afirma Baldy.

O jornalista viajou a convite da BYD

noticia por : UOL

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