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Cuiaba - MT / 7 de junho de 2026 - 0:30

"Assim que receber alta, vai para casa", diz advogado de delegado internado após trocar tiros com investigador

ANA JÁCOMO

DO REPÓRTERMT

O delegado da Polícia Civil, Bruno França, deixará a custódia policial no hospital e irá direto para sua residência assim que receber alta médica. A informação foi confirmada neste domingo (17) ao pelo advogado Diógenes Gomes Curado Filho, que atua na defesa do policial.

A liberação ocorre após a Justiça conceder a liberdade provisória ao delegado, que permanece internado em uma unidade de saúde particular em Sorriso (a 398 km de Cuiabá).

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Ao falar sobre a decisão judicial que beneficiou o cliente, o advogado limitou-se a confirmar o cumprimento da soltura. “Assim que o Bruno receber alta, ele vai para casa”, declarou Curado.

Bruno França foi preso em flagrante pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil na última quinta-feira (14), autuado por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil e emprego de arma de fogo.

O delegado precisou passar por uma cirurgia de reconstrução em um dos dedos da mão após se envolver em um violento tiroteio com o investigador Roberto Pinto Ribeiro, conhecido como “Betão”, na quarta-feira (13).

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Apesar de responder ao processo em liberdade fora da prisão, o delegado teve o porte de arma suspenso e foi formalmente afastado de suas funções na delegacia de Sorriso por determinação do Judiciário.

A decisão impõe ainda que o policial seja submetido a um acompanhamento psicológico para avaliar clinicamente suas condições de saúde mental e a viabilidade de um eventual retorno ao cargo na instituição.

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Na manifestação oficial enviada pela banca jurídica, os defensores sustentam que o tiroteio, motivado por uma discussão em um grupo de WhatsApp, foi reflexo de um severo esgotamento mental.

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A defesa alega que o delegado acumulava dois meses de grave sofrimento psicológico devido a uma crise familiar complexa e ao estresse de atuar há quatro anos na linha de frente do combate a facções criminosas no município. O investigador envolvido na troca de tiros também foi ouvido e liberado.

Confira a nota na íntegra:

“O escritório Bezerra & Curado Advogados Associados, na qualidade de patronos constituídos de Bruno França Ferreira, Delegado de Polícia Civil do Estado de Mato Grosso, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos acerca dos fatos ocorridos em Sorriso-MT na data de 13 de maio de 2026.

Bruno França Ferreira é Delegado de Polícia Civil há quatro anos, atuando na região de Sorriso com dedicação e empenho reconhecidos pelas autoridades locais, incluindo o Ministério Público e o Poder Judiciário. Nesse período, colocou-se na linha de frente do combate ao crime organizado em um município que enfrenta sérios problemas relacionados a facções criminosas, o que resultou em significativa redução dos índices de criminalidade e em elevado número de prisões e inquéritos concluídos. Trata-se de um profissional que exerce sua função com bravura, muitas vezes sob risco pessoal, a serviço da segurança pública da população de Sorriso.

Nos últimos dois meses, o Delegado Bruno vinha atravessando um período de grave sofrimento psicológico, precipitado por uma crise familiar de alta complexidade, somada ao peso acumulado de anos de trabalho em condições de extrema tensão. Essa combinação de fatores gerou uma deterioração progressiva de sua saúde mental, reconhecida e acompanhada de perto por sua família.

Os fatos que resultaram na lavratura do Auto de Prisão em Flagrante são inequivocamente reflexo desse quadro de stress. Amigos e colegas de trabalho se deslocaram à residência do Delegado a pedido de sua família, com o único intuito de auxiliá-lo. O que se seguiu foi uma reação de quem, naquele momento, não estava no pleno exercício de suas faculdades mentais — o que é reconhecido pela própria Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso no despacho que fundamentou a lavratura do flagrante, ao registrar expressamente a preocupação com a condição psíquica do Delegado e afastar a necessidade de prisão preventiva em razão desse contexto.

A defesa, em consonância com a representação formulada pela própria autoridade policial por medidas cautelares alternativas à prisão — afastamento temporário do cargo e suspensão do porte de arma —, requereu ao Juízo Criminal da Comarca de Sorriso a recomendação de que o Delegado Bruno seja acompanhado por profissional especializado, no caso um psicólogo, para avaliar no aspecto clínico a necessidade de afastamento do profissional e eventual retorno. As medidas foram deferidas pela autoridade judiciária.

A família e a defesa do Delegado Bruno França Ferreira aguardam que o sistema de justiça trate o caso com a sensibilidade que a situação exige e apela à imprensa e à sociedade para que o caso seja tratado com responsabilidade e respeito à dignidade da pessoa humana, preservando a imagem de um profissional que dedicou anos de sua vida ao serviço público, e que, como qualquer ser humano, pode sucumbir diante de circunstâncias que superam sua capacidade de suportação.”

 

FONTE : ReporterMT

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