Bloomberg
A Meta elevou sua projeção de investimentos e anunciou planos para criar uma nova classe de ações sem direito a voto, ampliando sua aposta já estratosférica em inteligência artificial.
Os investimentos de capital ficarão entre US$ 135 bilhões (R$ 678,2 bi) e US$ 145 bilhões (R$ 728,5 bi) em 2026, informou a empresa nesta quarta-feira (21), durante a divulgação de seu balanço trimestral, acima do piso anterior de US$ 130 bilhões (R$ 653,1 bi).
A nova classe de ações, por sua vez, será distribuída aos atuais investidores por meio de dividendos em ações. Os acionistas receberão uma ação da nova classe, em uma operação que equivalerá, na prática, a um desdobramento de ações na proporção de duas para uma, informou a Meta.
A empresa espera que a negociação dos novos papéis comece em janeiro.

Vista aérea da sede da Meta na Califórnia; empresa está aumentando investimentos em IA
–
Josh Edelson – 9.jan.22/AFP
As ações também servirão como instrumento para promover a expansão da Meta. Elas serão usadas para captação de recursos, remuneração de funcionários e possíveis aquisições, segundo a empresa.
As medidas mostram que a Meta está confiante de que seus gastos com IA darão frutos. O CEO Mark Zuckerberg tem tido dificuldade para convencer os investidores a aceitar as despesas crescentes da empresa com ambiciosas apostas em IA. Nos últimos meses, porém, a Meta avançou na tecnologia.
“Os nossos investimentos estão dando resultado, o negócio principal está sólido e estamos ganhando velocidade em todas as frentes”, afirmou Zuckerberg no relatório desta quarta.
O executivo destacou o sucesso do Muse, novo agente de IA da Meta, que foi usado por mais de 10 milhões de pessoas nos Estados Unidos e no Canadá nas primeiras seis semanas de funcionamento.
“Agora que o Muse demonstrou claramente sua adequação ao mercado, estamos entrando em uma nova fase, mais operacional, voltada para a expansão em escala”, disse Zuckerberg durante uma teleconferência com analistas.
As ações da Meta subiram mais de 3% nas negociações após o fechamento do mercado. Até o encerramento do pregão em Nova York, acumulavam alta de cerca de 6% no ano.
Como parte do balanço, a Meta afirmou que a receita do quarto trimestre ficará entre US$ 73 bilhões (R$ 366,7 bi) e US$ 76 bilhões (R$ 381,8 bi). Analistas projetavam, em média, US$ 73,6 bilhões (R$ 369,7 bi), segundo dados compilados pela Bloomberg.
A receita do terceiro trimestre cresceu 26%, para US$ 64,6 bilhões (R$ 324,5 bi), superando a estimativa de US$ 63,3 bilhões (R$ 318 bi). O lucro no período foi de US$ 3,83 (R$ 19,24) por ação, acima da projeção de US$ 3,57 (R$ 17,94).
No último ano e meio, Zuckerberg redirecionou os esforços da empresa para avançar na corrida da IA. A iniciativa incluiu o compromisso de investir centenas de bilhões de dólares na construção da infraestrutura necessária para sustentar seus modelos e a reestruturação de sua unidade de IA, sob o comando de Alexandr Wang.
No início deste mês, a Meta lançou o Muse, um aguardado novo modelo de IA com “capacidades de fronteira” que, segundo a direção da empresa, o coloca no mesmo patamar do ChatGPT, da OpenAI, e do Claude, da Anthropic, em tarefas de programação ou na análise de questões financeiras e jurídicas.
Se as afirmações da Meta forem confirmadas por testes independentes e o Muse ganhar adesão entre pesquisadores e desenvolvedores, isso representará uma reviravolta significativa para a empresa, cujos modelos decepcionaram o Vale do Silício no ano passado.
O assistente personalizado de IA Muse estreou em setembro. Ele foi desenvolvido para automatizar uma série de tarefas para os consumidores, incluindo fazer compras, adquirir ingressos de cinema e marcar compromissos. O Muse rapidamente chegou ao topo dos rankings de aplicativos para dispositivos móveis.
Esse sucesso, porém, teve um custo. A Meta observou que o agente de IA exige enorme capacidade computacional. Essa é uma das razões pelas quais a empresa ainda não lançou o agente globalmente.
Zuckerberg afirmou que o Muse deve continuar gratuito para a maioria das pessoas, enquanto a Meta obterá receita com taxas de transação pagas por empresas, assinaturas para usuários intensivos e clientes que desejem acesso aos modelos mais avançados, além de ferramentas pagas para companhias que utilizem o Muse no trabalho.
“Se a eficiência computacional continuar melhorando rapidamente por mais alguns anos, o que consideramos altamente provável, então o Muse será altamente lucrativo ao longo de vários anos”, acrescentou.
A Meta, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp, obtém atualmente a maioria de sua receita com publicidade.
Zuckerberg também afirmou que CJ Desai comandará a nova plataforma empresarial da Meta, negócio que a companhia está desenvolvendo para vender acesso a seus modelos e serviços de IA. A Bloomberg News foi a primeira a noticiar esse novo negócio de computação em nuvem.
A Meta ainda tem muitos gastos a realizar antes do fim do ano. Embora o ponto médio de sua projeção de investimentos de capital seja de US$ 140 bilhões (R$ 703,3 bi), a empresa gastou apenas cerca de US$ 86 bilhões (R$ 432 bi) nos primeiros nove meses.
A Meta também indicou que os retornos de alguns de seus investimentos mais recentes em IA levarão mais tempo para aparecer, embora seu negócio principal ajude a absorver os custos.
“Embora esses investimentos levem mais tempo para gerar retornos do que os realizados em nosso negócio principal”, afirmou a diretora financeira Susan Li, “a amplitude das oportunidades de monetização e dos ganhos internos de eficiência nos dá confiança em seu potencial de longo prazo”.
A Meta está cortando custos em outras áreas enquanto despeja dinheiro em IA. O quadro de funcionários caiu 15% em relação ao ano anterior após cortes significativos de pessoal, e a empresa prometeu reduzir os prejuízos da Reality Labs, sua divisão de hardware.
A Meta prevê que as perdas da Reality Labs cheguem a US$ 19 bilhões (R$ 95,4 bi) neste ano, antes de recuarem para cerca de US$ 15 bilhões (R$ 75,3 bi) em 2027, à medida que redireciona gastos para outras prioridades —”principalmente IA”.
Ao anunciar a nova classe de ações, a Meta também afirmou que os papéis sem direito a voto garantirão que Zuckerberg continue liderando a empresa “rumo à próxima era”.



