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Cuiaba - MT / 8 de setembro de 2026 - 17:15

Calor e El Niño afetam preços globais da alimentação, aponta FAO

Clima, gargalos provocados por conflitos geopolíticos e dúvidas sobre rendimento das safras em várias regiões provocaram um aumento médio mundial dos preços dos alimentos de 2,2% em agosto, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura).

A entidade acompanha os preços de carnes, lácteos, cereais, óleos vegetais e açúcar. Este último foi o que mais subiu no mês passado a nível mundial, ficando, em média, 12% mais caro para os consumidores. No Brasil não foi diferente, os preços acumulados do açúcar no mês passado subiram 24%, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Possibilidade de uma produtividade menor no Brasil e na União Europeia, esta castigada por forte calor neste ano, e isenção de impostos pela Índia na importação de açúcar bruto forçaram a alta dos preços.

Os óleos vegetais também passaram a pesar mais no bolso dos consumidores, segundo a FAO, com aumento de 0,6%. Expectativas do efeito do El Niño no Sudeste Asiático, grande região produtora de óleos vegetais, e instabilidade no fornecimento de petróleo sustentam os preços. Além disso, o óleo de soja é utilizado cada vez mais para a produção de biocombustível, principalmente nos Estados Unidos.

O milho também foi um componente de alta no índice de preços da FAO, subindo 2,5%. Ainda há dúvidas sobre a produção em parte da região do Meio-Oeste dos Estados Unidos e sobre os efeitos da seca na Europa. Além disso, a demanda pelo cereal para a produção de etanol é mais um componente nessa formação de preços. No Brasil, o milho teve alta de 8% no mês passado, segundo o Cepea.

O arroz, com demanda maior de países da África e da Ásia, subiu 0,5% na média mundial. No Brasil, com a chegada da entressafra e perspectivas de uma área menor de plantio, a alta foi de 14% em agosto.

As carnes, devido à demanda mundial, tiveram um aumento médio de 1%, uma evolução que poderia ter sido maior não fosse a queda de preços das carnes bovina e suína. O Brasil também acompanhou essa tendência mundial.

A carne bovina, com o preenchimento da cota chinesa de 1,1 milhão de toneladas destinada ao Brasil, teve queda de 1% no país. O mesmo ocorre com a carne suína, uma vez que a China está bem abastecida, e boa parte da produção brasileira é voltada para as exportações.

O Brasil, como um dos principais fornecedores de proteína animal para o mundo, pode influenciar o preço do mercado externo, mas também sofre os efeitos da demanda internacional. O frango, com maior procura no mercado externo, subiu de preços, e o Brasil está registrando recordes de exportação.

Os lácteos ficaram 2,3% mais caros, segundo a FAO, mas os preços atuais ainda estão 22% inferores aos de há um ano. A Nova Zelândia elevou a produção, mas não o suficiente para equilibras os efeitos do clima na União Europeia. No Brasil, país que não tem interferência nesse setor no mercado internacional, os preços do leite registraram alta de 4,7% no campo, segundo a mais recente pesquisa do Cepea.

Os alimentos vão passar por um cenário de dúvidas neste final de ano. Além dos problemas causados pelos efeitos geopolíticos ao sistema de produção e de distribuição, como os do mar Negro e os do Oriente Médio, o forte calor em grandes regiões produtoras e o El Niño tornam a situação ainda mais incerta.


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noticia por : UOL

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