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Cuiaba - MT / 7 de março de 2026 - 11:39

'Você acha que sou burro de ir a um país em guerra?', diz prefeito de BH sobre viagem a Israel

O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), diz ter sentido que “iria dormir e nunca mais acordar” ao ser surpreendido por bombardeios do Irã sobre Israel na semana passada. “Muito tenso. Pensei que nunca mais veria minha família”, relatou à coluna.

Israel atacou o Irã no dia 13 de junho. O revide veio a seguir. O prefeito só conseguiu deixar Tel Aviv quatro noites depois, em 17 de junho.

Ele viajava ao país a convite da embaixada de Israel no Brasil. A representação diplomática israelense segue levando grupos ao país mesmo com a recomendação do Itamaraty para que brasileiros evitem regiões de conflito.

Para quem questiona o que prefeitos estavam fazendo no país do Oriente Médio, Damião rebate: “Você acha que sou burro de ir para um país em guerra?”

Damião afirma que imaginava uma viagem segura e tranquila, já que passaria longe da Faixa de Gaza, praticamente destruída, mas ainda sob ataque de Israel.

“Eles têm um conflito interno contra a Palestina, mas eu estava indo para Tel Aviv, não à Faixa de Gaza. Ninguém sabia que o Irã iria atacar”, afirma ele, referindo-se ao revide da nação Persa, que foi atacada primeiro por Israel.

Damião e mais 40 autoridades brasileiras ficaram presos no país nos primeiros dias de bombardeios. Eram governadores, prefeitos, secretários estaduais e secretários municipais.

Ele diz que a viagem incluía visita guiada pelos anfitriões a feiras de tecnologia e segurança. Mas, de repente, mísseis do Irã começaram a cair sobre os céus de Tel Aviv.

“Os bombardeios começaram e fomos aconselhados a baixar um aplicativo que emitia alertas. Avisava se era para ficar perto de um abrigo, por exemplo.”

O hall e subtérreo do hotel onde as autoridades ficaram hospedadas já era capacitado como abrigo. As paredes dele têm 60 centímetros de ferro armado. O lugar era mais fortificado do que a maioria dos bunkers em Israel, segundo Damião. “Só corríamos perigo se um míssil caísse na nossa cabeça.”

“Se o aplicativo mandasse você ir para o bunker, tínhamos cerca de dois minutos para chegar antes de as bombas caírem”, conta. Eles não saíram do hotel desde que os ataques começaram, e tinham que descer para o abrigo de três a quatro vezes ao dia, quase sempre de madrugada. “Não tinha como dormir.”

Na segunda (16), 12 autoridades foram escoltadas por militares de Israel até a fronteira da Jordânia, incluindo Damião, num trajeto de duas horas. “Fomos em vans normais. Não eram blindadas, até porque nenhuma blindagem vai proteger contra míssil”.

Se algum ataque ocorresse, eles eram aconselhados a sair do carro, se afastar e deitar no chão com a mão na cabeça.

Ao chegar na fronteira, cada um pagou US$ 100 (R$ 550) para tomar um ônibus e atravessar uma ponte que dividia o país. Do outro lado, o embaixador brasileiro da Jordânia os aguardava junto a oficiais do país.

Foram mais seis horas de carro até a Arábia Saudita, onde os aguardava um ônibus turístico providenciado por Mersinho Lucena (PP), deputado federal pela Paraíba. Ele é filho de Cicero Lucena, prefeito de João Pessoa que integrava o grupo das 12 autoridades.

Depois de viajar por mais quatro horas, eles tomaram um avião particular na terça (17) rumo ao Brasil, com escala em Cabo Verde, na África. “Onde deveria ter um avião da FAB (Força Aérea Brasileira), tem um avião pago por nós. Eu só tenho pena de quem ficou”, afirma Damião.

TROFÉU

O imortal da Academia Brasileira de Letras e presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi, e a tradutora e professora da Universidade de São Paulo (USP) Aurora Bernardini foram os homenageados da segunda edição do prêmio Ciccillo Matarazzo per Italiani nel Mondo. O jantar de entrega da honraria a intelectuais ítalo-brasileiros ocorreu na semana passada, em São Paulo, e contou com a presença do empresário Andrea Matarazzo, criador do prêmio, e do embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese.

com DIEGO ALEJANDRO, KARINA MATIAS, LAURA INTRIERI e VICTÓRIA CÓCOLO


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noticia por : UOL

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