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Cuiaba - MT / 7 de março de 2026 - 14:41

Trump desautorizou e traiu Netanyahu em casa, diz professor especialista em judaísmo e antissemitismo

Professor do programa de História Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde coordena o Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos (Niej), Michel Gherman afirma que Donald Trump “traiu [o primeiro-ministro de Israel Binyamin] Netanyahu na casa dele”.

Trump discursou nesta segunda (13) no Knesset, o parlamento de Israel, sobre o fim da guerra em Gaza. O primeiro-ministro estava presente, e também discursou

Para Gherman, o norte-americano “desautorizou Netanyahu” ao colocar um fim definitivo na guerra, ao apontar para a criação, no futuro, de um estado palestino ao lado de Israel e ao deixar claro que o primeiro-ministro não venceria o conflito com o Hamas sem a ajuda norte-americana.

“Trump não falou claramente sobre a existência de dois estados. Mas nem precisava: quando ele fala de harmonia com os países árabes, de volta à normalidade em Gaza, de paz e especialmente de um Novo Oriente Médio, é disso que ele está falando. Os países árabes deixaram claro que essa é uma questão central no acordo celebrado”, segue Gherman, que é também pesquisador de antissemitismo da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, onde fez mestrado e já deu aulas.

“Trump usou conceitos e termos do [ex-primeiro-ministro Shimon Peres, defensor da existência de dois Estados]”, segue Gherman. E, embora dizendo que Netanyahu conseguiu alcançar todos os seus objetivos, o norte-americano deixou claro, segundo Gherman, que nada disso aconteceu:

“Não haverá anexação de Gaza, não haverá migração ‘voluntária’ da população. O Hamas não foi destruído, segue em Gaza é com ele que as negociações para a libertação dos reféns foram feitas, o que Netanyahu não queria. Além disso, a única alternativa que está à mesa no horizonte é a de um governo palestino no território, ainda que o Hamas seja desmobilizado. Ou seja, foi uma clara derrota para a extrema-direita de Israel.”

Gherman afirma que a primeira “traição” de Trump foi colocar como ponto central de seu discurso a paz, e não a segurança de Israel.

“Ele apontou para a paz, que é um conceito abstrato e incompreendido pela extrema-direita, uma palavra com a qual ela não lida bem. O conceito central da extrema-direita de Israel é o da segurança.”

A segunda traição foi quando o norte-americano deixou claro que “a guerra foi vencida por causa do apoio dos EUA. Trump fala claramente que Bibi [Binyamin Netanyahu] ligou para ele pedindo armas. Ele expõe a fraqueza de Israel e o desespero de Netanhyahu de não conseguir se contrapor sozinho a um grupo terrorista”.

A terceira, afirma, “é quando ele fala de Novo Oriente Médio, uma categoria famosa da época de Shimon Peres, num contexto de paz e de harmonia com os países árabes. Pois hoje não dá para falar de harmonia sem falar de dois Estados”, reafirma.

“Trump mostrou em seu discurso que segue sendo Trump. Elogiou armas, usou termos como ‘limpeza’. Ele não é [o ex-presidente dos EUA Barack] Obama. Mas alguns elementos de sua fala mostram que ele quer ir além de ser um político de extrema-direita”, finaliza o professor.


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noticia por : UOL

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