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Cuiaba - MT / 7 de março de 2026 - 3:29

Secretário do Tesouro dos EUA questiona candidatos à presidência do Fed sobre juros

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, questionou os concorrentes à liderança do Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos) sobre sua posição em relação às taxas de juros e à redução dos estímulos da era de crise, enquanto o governo de Donald Trump busca substituir o presidente Jerome Powell.

Semanas de reuniões com uma lista inicial de 11 candidatos foram concluídas nesta terça-feira (7), segundo várias pessoas envolvidas no processo. Os candidatos disseram que foram entrevistados por até duas horas por Bessent, pelo funcionário do Tesouro Hunter McMaster e pelo assessor Francis Browne.

Alguns dos entrevistados disseram que Bessent pediu suas opiniões sobre questões que ele levantou em um artigo recente que pedia reformas abrangentes do banco central e criticava seus programas de flexibilização quantitativa como um “experimento de política monetária de ganho de função”.

Os candidatos também foram questionados sobre como lidariam com a governança de uma instituição que Bessent acusou de “desvio de missão”, disseram as pessoas.

A busca para encontrar um substituto para Powell como presidente da instituição financeira mais importante do mundo ocorre durante um período de turbulência para o Fed, depois que Trump instalou um aliado como diretor e tentou demitir outro —aumentando os temores de que o presidente comprometa a independência do banco central.

Trump pediu que o Fed corte suas taxas de juros de referência para até 1% em relação ao intervalo atual de 4% a 4,25%.

Trump, que terá a palavra final após a rodada final de entrevistas, disse que seus favoritos são o ex-diretor do Fed Kevin Warsh, o atual diretor Christopher Waller e Kevin Hassett, um dos conselheiros econômicos do presidente.

Rick Rieder, diretor de investimentos de renda fixa global da BlackRock e uma aposta externa para o cargo, teve um desempenho “muito bom”, disse uma pessoa familiarizada com as discussões.

Bessent tem sido discreto sobre o processo, dizendo em uma entrevista recente à Fox Business que queria alguém com “mente aberta” que estivesse “olhando para o futuro”.

O Departamento do Tesouro não respondeu a um pedido de comentário.

Ele reconheceu no mês passado que a força do desempenho de alguns dos candidatos foi uma surpresa, deixando o secretário do Tesouro com dificuldades para reduzir a lista a ser apresentada à Casa Branca.

Powell deve deixar a presidência em maio de 2026, encerrando seus oito anos como o banqueiro central mais importante do mundo. Ele poderia permanecer como diretor até janeiro de 2028.

Sua reta final no comando tem sido marcada por ataques de Trump, que rotulou o homem que ele escolheu para dirigir o banco central como um “idiota” que tem sido “muito lento” para mudar a política monetária.

O secretário do Tesouro, que regularmente se encontra com o presidente do Fed para o café da manhã, é visto como uma figura mais moderada do que alguns dos aliados de Trump e, às vezes, impediu o presidente de tentar demitir Powell.

Mas no mês passado, Bessent publicou um ensaio de quase 6.000 palavras para a publicação especializada International Economy, no qual criticou o desempenho do banco central.

Bessent considera o balanço inflado do Fed como um reflexo do excesso de alcance do banco central, e argumentou que seus tecnocratas deveriam ter menos influência sobre os mercados de títulos do governo, dando mais controle ao Tesouro.

Warsh ecoou essas opiniões em um discurso em abril para o Grupo dos 30, uma organização composta por financistas e acadêmicos.

Mais recentemente, vários outros candidatos —incluindo Waller— delinearam como reduziriam o tamanho das participações de ativos do Fed, que se expandiram quando o banco central comprou títulos do Tesouro e outros títulos durante a crise financeira e a pandemia de Covid-19.

As acusações de Bessent no artigo para a International Economy irritaram altos funcionários do Fed envolvidos nos programas de compra de ativos.

Eles dizem que, embora o QE (Sigla para afrouxamento quantitativo, quando o banco central compra títulos para reduzir juros de longo prazo e aumentar liquidez) tenha elevado o preço dos ativos desproporcionalmente detidos por americanos ricos, sem essas políticas o desemprego provavelmente teria aumentado —atingindo os mais pobres com mais força.

A agenda do presidente para o Fed parece estar em desacordo com o foco de Bessent no balanço e nos efeitos colaterais do QE.

Trump deixou claro que considera, de longe, o critério mais importante para o substituto de Powell a disposição de cortar agressivamente os custos de empréstimos.

Os repetidos ataques do governo à independência há muito mantida pelo banco central para definir as taxas de juros como achar adequado provocaram nervosismo no mercado —junto com apostas de que o próximo presidente do Fed cortará mais agressivamente os custos de empréstimos.

O aliado de Trump, Russ Vought, diretor do Escritório de Gestão e Orçamento, também criticou o que ele afirmou ser uma reforma “ostentosa” de US$ 2,5 bilhões na sede do Fed.

Outro membro do círculo íntimo do presidente, Bill Pulte, acusou Lisa Cook, a primeira diretora negra do Fed, de fraude hipotecária —levando Trump a tentar demiti-la.

Cook negou as acusações e está processando o presidente, com a Suprema Corte dizendo na semana passada que ela poderia continuar trabalhando no Fed pelo menos até janeiro de 2026.

noticia por : UOL

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