A rede municipal de São Paulo deve conseguir garantir que 80% das crianças estejam alfabetizadas na idade certa em 2029 caso mantenha o ritmo de crescimento registrado nos últimos três anos.
Cidade mais rica do país, a capital paulista conseguiu garantir que apenas 53% das crianças aprendessem a ler e a escrever ao fim do 2º ano do ensino fundamental em 2025. Essa etapa normalmente atende alunos de sete anos.
Com essa taxa, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) superou a meta estabelecida pelo Ministério da Educação para o município (de 51%), mas ficou longe da média nacional, que foi de 66% no ano passado.
Os dados são do Indicador Criança Alfabetizada, calculado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais). Os resultados foram sistematizados em um plataforma criada pela cátedra Sérgio Henrique Ferreira, da USP, que também calculou o ritmo de avanço dos municípios.
O relatório identificou que, entre os dez maiores municípios paulistas (com população acima de 500 mil habitantes), apenas três conseguiram alfabetizar pelo menos 60% dos alunos na idade certa em 2025. Juntos, eles concentram 42% de todas as matrículas dessa série no estado.
Entre as maiores cidades, a capital paulista tem o quinto pior resultado, à frente de Guarulhos, Osasco, Campinas e Ribeirão Preto.
Em vigor a partir deste ano, o novo Plano Nacional de Educação estabeleceu que, até 2030, todos os municípios devem ter ao menos 80% das crianças dessa faixa etária alfabetizadas. Por isso, a plataforma calculou quanto tempo as redes de ensino irão demorar para alcançar esse objetivo, se mantiverem o ritmo atual de crescimento.
Caso siga o ritmo atual, São Paulo irá alcançar a meta em 2029, já que desde 2023 teve um crescimento 7,5 pontos percentuais ao ano. A cidade passou de uma taxa de 37,9% de crianças alfabetizadas, em 2023, para 48,3% em 2024. Até chegar aos 53% no ano passado. Ou seja, apesar de ter mantido o avanço, houve diminuição no ritmo.
Mozart Neves Ramos, titular da cátedra, ressalta que é mais difícil manter o ritmo acelerado conforme a taxa avança. “Quem está com taxas mais baixas costuma ter resultados mais rápidos e maiores quando desenvolve uma política focalizada. São Paulo tinha um resultado baixo e subiu bastante nos últimos dois anos, mas o desafio agora será manter ou acelerar esse ritmo.”
Ele destaca ainda que São Paulo, assim como outras cidades populosas, são as que apresentam taxas mais baixas por causa das desigualdades socioeconômicas das crianças e também na estrutura das escolas.
“Em diversos estados, são as cidades maiores que têm maior dificuldade em subir a proporção de crianças alfabetizadas. São Paulo, por exemplo, tem uma diversidade enorme e muitas desigualdades que exigem estratégias diferentes para que cada criança tenha a oportunidade adequada de aprender a ler e escrever.”
De acordo com o Ministério da Educação, o índice é calculado com base em testes que avaliam se a criança é capaz de ler palavras, frases e textos curtos, além de localizar informações explícitas e inferir sentidos em textos que mesclam linguagem verbal e não verbal.
Além da formação adequada para os professores alfabetizadores, investimento em materiais adequados para essa faixa etária, Mozart destaca a importância da qualidade na pré-escola, etapa anterior ao ensino fundamental que atende a crianças de 4 e 5 anos.
Conforme mostrou a Folha, ao terminar a pré-escola, crianças mais pobres já apresentam rendimento significativamente inferior ao das mais ricas, segundo dados de um estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em três estados brasileiros.
“Os municípios precisam olhar para esses dados da alfabetização e pensar em estratégias para garantir melhores condições para que essas crianças aprendam mais e melhor no início da trajetória escolar e, assim, evitar que carreguem essas dificuldades durante toda a vida”, diz Mozart.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, comandada por Fernando Padula, destacou ter superado a meta estabelecida para o ano passado. “O avanço é resultado de mudanças implementadas nos últimos anos na rede municipal, com a intensificação de estratégias pedagógicas, ampliação de formação de professores e demais profissionais nas unidades, materiais complementares e ampliação e apoio financeiro.”
A pasta informou ainda ter adotado o boletim pedagógico com a definição dos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento por bimestre, a designação de professor de apoio pedagógico para o 2º ano e a realização de sondagens bimestrais sobre escrita de textos, leitura e matemática.
“Os desafios são proporcionais ao tamanho de uma das maiores redes de ensino do país e requerem soluções inovadoras e ações persistentes, que estão repercutindo positivamente nos índices educacionais e na diminuição das distorções e defasagens”, disse a secretaria.
noticia por : UOL






