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Cuiaba - MT / 20 de junho de 2026 - 15:37

Pago com dinheiro público, curso do PCdoB prega clima de “guerra” nas eleições

O tom das falas lembra os discursos de lideranças estudantis em uma reunião de DCE. A falta de público, presencial e virtual, contrasta com a urgência do tema destacada pelos organizadores. O clima de “nós contra eles” domina o ambiente, onde palavras como “guerra” e “batalha” são evocadas no contexto das eleições de 2026. Assim foi mais um evento de doutrinação promovido pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), pago com o seu dinheiro.

O termo “doutrinação” não é um exagero. É assim que as fundações ou institutos vinculados aos partidos são descritas na legislação eleitoral. Fundações como a Maurício Grabois, integrante da estrutura do PcdoB e uma das organizadoras do “Seminário Guerra Cultural e Eleições em 2026”, que foi acompanhado pela Gazeta do Povo.

A entidade faz parte da estrutura do PCdoB e tem como objetivo declarado “desenvolver a teoria marxista no Brasil e contribuir para a formulação de um Projeto Nacional de Desenvolvimento voltado ao socialismo”. E é bancada totalmente por recursos vindos do Fundo Partidário.

Fundações e institutos dos partidos são financiados por dinheiro público

Esse fundo é bancado por diversas fontes financeiras. Multas aplicadas aos partidos em ações na Justiça Eleitoral formam uma parte. Doações de apoiadores formam outra. Mas o grosso do dinheiro vem mesmo das dotações orçamentárias da União. Em português: dinheiro dos impostos pagos pelos cidadãos, todos eles, independente se apoiam ou não a causa comunista, marxista ou socialista.

Em todo o ano de 2025, o PCdoB recebeu cerca de R$ 19,8 milhões do Fundo Partidário – que é diferente do Fundo Eleitoral, aquele que é destinado exclusivamente às campanhas a cada dois anos. Desse total, R$ 4,291 milhões foram injetados na Fundação Maurício Grabois.

Em 2026 os valores devem se aproximar desses do ano passado, uma vez que até maio o partido havia recebido quase R$9 milhões do fundo e repassado, até março, R$ 1,1 milhão à fundação. É daí que vem o dinheiro utilizado para as ações de doutrinação, como o evento em questão. Detalhe: o vídeo do encontro, postado no YouTube, estava com menos de 330 visualizações no momento da publicação desta reportagem.

“Lado de lá” precisa ser combatido, disse deputado do PT

Durante o seminário, o tom belicoso dominou o painel. “De fato nós estamos falando de uma guerra, e esta eleição de 2026 se tratará disso, guerra”, resumiu o deputado federal Rubens Pereira Junior (PT-MA).

A justificativa dada pelo parlamentar é a de que “o lado de lá” já estaria operando uma estrutura de desinformação na internet, que precisa ser combatida. A opinião é compartilhada pelo professor João César de Castro Rocha, para quem “o encontro das redes com as ruas” garantiu a vitória da “extrema direita” nas eleições de 2018.

Em termos gerais, o que preocupa os participantes do seminário do PCdoB é o fato de a direita no Brasil ter, segundo eles, levado a campanha política para um novo patamar. A maior presença na internet, palco antes dominado pela esquerda, e nas redes sociais com um discurso voltado ao sentimento e à fé parece ter sido um golpe duro de ser assimilado pelos simpatizantes do marxismo.

Campanha eleitoral não tem mais uma “Quarta-feira de Cinzas”

Usando uma analogia do Carnaval, Rocha afirmou que antes havia uma espécie de “Quarta-feira de Cinzas” após a eleição. Nas palavras do professor, o conflito cessava para dar lugar à governabilidade. Para ele, a realidade agora é outra.

A comparação com o Carnaval é válida, segundo o professor, porque há uma data de início e, principalmente, um final pré-determinado. Segundo ele, o período segue uma espécie de “protocolo de hipocrisia”, onde, mesmo contrariado, o candidato vencido admite a derrota e o ganhador deixa as arestas de lado e proclama o fim da campanha para dar início ao período de governo.

“Este modelo não está mais vigente. A extrema direita tornou esse modelo obsoleto. Trump não reconheceu a derrota para Biden em 2020, Bolsonaro não reconheceu a derrota para Lula em 2022. A extrema direita não faz campanha eleitoral, ela vive em campanha eleitoral permanente”, disse.

E uma das consequências desse estado de campanha permanente, destacou Rocha, é que para ele a direita no Brasil usa constantemente expedientes até então permitidos apenas no período pré-eleitoral. “Golpes baixos, abaixo da linha da cintura, são comuns na campanha. Mas ao término reorganiza-se o tecido político para a governabilidade”, completou.

Os tais golpes baixos, destacou, se mostram de várias formas. Uma delas é o que no seminário foi descrito como a hiperpolitização do cotidiano. Em outras palavras, para os palestrantes, todo evento social ou cultural pode ser “sequestrado” pela direita para alimentar o conflito. A vida privada e os costumes tornaram-se a linha de frente da batalha.

Esquerda defende uso da IA para defender a democracia

E para vencer essa e outras batalhas, e consequentemente a guerra das eleições, as táticas propostas pela esquerda são muitas. Uma delas é abandonar a postura de passividade e operar um plano de ofensiva de execução rápida na “defesa da democracia”.

A longo prazo, o sonho é criar redes sociais nacionais que garantam a transparência e a regulamentação compartilhada. A curto prazo, é criar uma rede de núcleos municipais de defensores da democracia, com acesso a um repositório nacional de modelos jurídicos para questionar instantaneamente o que for identificado como crimes contra a honra e desinformação.

Outro ponto é romper a hegemonia conservadora nas redes com o uso de inteligência artificial generativa. Com isso, a esquerda poderá produzir conteúdos “educativos e positivos” em escala, gerando engajamento orgânico baseado em direitos e na luta de classes.

Mas, como proposto no seminário, se algum candidato de direita usar a mesma tecnologia para, por exemplo, simular uma fala, a inelegibilidade deve ser declarada de forma imediata, sem aguardar o trânsito em julgado. Afinal, para a esquerda, democracia só existe se for “do lado certo”.

noticia por : Gazeta do Povo

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Cuiaba - MT / 20 de junho de 2026 - 15:37

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