Anúncio

Cuiaba - MT / 23 de abril de 2026 - 11:12

O Xadrez Político de Mato Grosso: O Peso dos "Votos Órfãos" para 2026O Xadrez Político de Mato Grosso: O Peso dos "Votos Órfãos" para 2026

JOSÉ RODRIGUES

As eleições de 2026 em Mato Grosso prometem ser um dos embates mais estratégicos da história recente do estado. Embora nomes consolidados já figurem no tabuleiro, a análise dos dados históricos de 2018, 2020 e 2022 revela uma força silenciosa, mas decisiva: o expressivo contingente de votos detido por candidatos que não ocupam o poder atualmente, mas que atuarão como o fiel da balança nos próximos pleitos.

Em 2022, o governador Mauro Mendes (UNIÃO) demonstrou uma hegemonia incontestável ao ser reeleito com 68,45% dos votos válidos (1.114.549 votos). Contudo, o cenário para sua sucessão em 2026 abre espaço para novas composições.Com a proximidade de 2026, a imprensa já aponta os principais nomes que buscam sua sucessão:

• Wellington Fagundes (PL): Atualmente liderando as intenções de voto em pesquisas recentes, aparece como o nome consolidado da ala bolsonarista.

• Otaviano Pivetta (Republicanos): O atual vice-governador, reeleito na chapa de Mendes em 2022, surge como um sucessor natural e figura tecnicamente empatada nas sondagens.

• Jayme Campos (UNIÃO): Veterano da política, também é citado como um forte concorrente ao Palácio Paiaguás.

• Natasha Slhessarenko (PSD/PSB): Representando a oposição, seu nome é ventilado com o apoio da Federação Brasil da Esperança.

Os candidatos derrotados em 2022 — Marcia Pinheiro, Pastor Marcos Ritela e Moisés Franz — somaram, juntos, 513.663 votos. Este montante representa uma massa crítica de eleitores que, a depender das alianças e dos posicionamentos que esses líderes adotarem, tem o potencial de definir o próximo inquilino do Palácio Paiaguás. A direção que essas lideranças tomarem pode consolidar ou desestabilizar as pré-candidaturas postas.

Se a disputa pelo Governo é estratégica, a corrida pelas duas vagas ao Senado em 2026 será um campo de batalha milimetricamente calculado. 

A análise sugere que, enquanto a primeira vaga pode seguir tendências de nomes já estabelecidos, a segunda vaga será extremamente acirrada.

O peso dos suplentes e candidatos não eleitos em pleitos anteriores é o que sustenta essa tese:

• Legado de 2022: Candidatos como Antônio Galvan (que já confirmou nova candidatura) e outros nomes igualmente não eleitos, somaram 473.538 votos.

• A Força de 2020 e 2018: Nas eleições suplementares de 2020 e na geral de 2018, o volume de votos em candidatos não eleitos foi ainda maior, atingindo a marca de 1.082.295 e 1.407.226 votos, respectivamente.

Nomes como Carlos Fávaro e José Medeiros, figuras centrais nestas estatísticas, já sinalizam novas candidaturas, o que fragmenta ainda mais o eleitorado e aumenta o valor de cada apoio político.

De acordo com o que vem sendo divulgado pela imprensa, os favoritos são:

1. Mauro Mendes (UNIÃO): O atual governador lidera as intenções de voto para a primeira vaga.

2. Janaina Riva (MDB): A deputada estadual mais votada de 2022 aparece como a favorita para a segunda vaga em diversos cenários.Contudo, o cenário está longe de estar definido. Outros pré-candidatos de peso incluem o ex-ministro e atual Senador Carlos Fávaro (PSD), o deputado federal José Medeiros (PL) e o ex-governador Pedro Taques (PSB).

O peso histórico é o que sustenta a tese de uma disputa imprevisível:

• Legado de 2022: Candidatos não eleitos ao Senado somaram 473.538 votos.

• Acúmulo de 2018 e 2020: Em pleitos passados, o volume de votos em candidatos que hoje estão fora do cargo atingiu marcas de 1.082.295 e 1.407.226.

A base partidária construída em 2022 também servirá de termômetro e suporte para as candidaturas majoritárias de 2026.

1. Câmara Federal: A candidata Rosa Neide (PT), mais votada do estado em 2022 com 124.671 votos (embora não eleita pelo quociente), é um exemplo claro de capital político que pode ser transferido para uma chapa majoritária.

2. Assembleia Legislativa (ALMT): Lideranças como Janaina Riva (MDB), com 82.124 votos, e Max Russi (PSB), com 70.328, detêm máquinas regionais poderosas que servirão como os principais cabos eleitorais para o Governo.Mato Grosso possui um eleitorado fiel a certas lideranças, mas a história mostra que o posicionamento de quem “bateu na trave” ou ocupou suplências é o que definirá a vitória em cenários de polarização. 

Com a expectativa de uma disputa acirrada pela segunda vaga ao Senado, os candidatos que souberem aglutinar esses milhões de votos dispersos entre ex-candidatos ao governo e legislativo sairão na frente na corrida de 2026.

A grande incógnita, e o ponto de maior atenção para os analistas, reside na capacidade dessas figuras “não eleitas” de converter seu capital político em apoio direto, transformando-se nos verdadeiros árbitros da política mato-grossense.Aqueles que participaram de eleições passadas e hoje observam o cenário são, sem dúvida, podem se tornar os árbitros da política mato-grossense para o próximo ciclo.A política mato-grossense em 2026 não será decidida apenas pela hegemonia, mas também pela capacidade de cooptação dos não eleitos de 2018, 2020 e 2022.

José Rodrigues Rocha Junior, Advogado, pós-graduado em direito constitucional, Jornalista, Empresário, Escritor, Palestrante, Consultor e Conferencista.

>>> Siga a gente no Twitter e fique bem informado

FONTE : ReporterMT

Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram
Anúncio

Cuiaba - MT / 23 de abril de 2026 - 11:12

LEIA MAIS

Anúncio