É um Brasil torto, riscado de memória, quase um coração despedaçado. Os traços da artista Carmela Gross transformados num mapa de linhas de luzes neon serão uma espécie de novo cartão de visitas do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Sua escultura luminosa, na parede do novo restaurante da instituição, estará visível para quem passar diante da fachada a partir de setembro, quando o MAM reabrir ao público depois de dois anos fechado por causa das obras de restauro —e de todos os seus atrasos— na marquise do parque Ibirapuera.
De certa forma, a escultura reflete a reorganização interna do museu, um dos mais importantes do país. Enquanto as obras do lado de fora funcionam para devolver o esplendor a um dos desenhos mais emblemáticos da obra de Oscar Niemeyer, o museu debaixo da marquise se refez do zero. Foram mantidas as duas galerias de exposições, uma maior e outra menor, e a sala de vidro. Esse último espaço era onde antes ficava uma das célebres esculturas de aranha da francesa Louise Bourgeois, vendida pelo banco Itaú, detentor do espaço, num dos episódios mais lamentáveis da história dos museus do país.
Lamentos à parte, o MAM renasce agora com nova iluminação, um auditório ampliado, acessível direto da entrada sem o desnível do passado, que obrigava a subir alguns degraus para entrar na sala, e a mudança da bilheteria para o lado de fora da marquise, ampliando o espaço interno de recepção do público.
Esse será o palco, a princípio, de uma festa de gala beneficente em agosto, patrocinada pela Tiffany, marco na agenda social da cidade para reerguer o museu nessa nova fase, e depois do tradicional Panorama da Arte Brasileira, em setembro, uma das mostras mais importantes do calendáriodas artes visuais do país. Na mostra bienal, desta vez organizada por Diane Lima, uma instalação da artista Jota Mombaça vai ocupar o icônico espaço da aranha de Bourgeois, por onde também passou uma instalação poderosíssima de Tunga.
MINHA OBRA, MINHA VIDA Também já estão escaladas as obras da nova edição do tradicional Clube de Colecionadores do MAM, em que apoiadores do museu podem levar para casa trabalhos de grandes artistas a um custo abaixo do mercado. Neste ano, por R$ 8.000, recurso revertido ao museu, estarão disponíveis a partir de agosto, com lançamento na feira SP-Arte Rotas, peças do argentino León Ferrari e de Mayara Ferrão e Rodrigo Cass.
VEM AÍ Na sequência do Panorama, o MAM abre no início do ano que vem uma grande exposição de León Ferrari, com peças do próprio acervo, da época em que o artista viveu em São Paulo em seu exílio da ditadura argentina, e muitas outras guardadas pela família ainda em Buenos Aires. É um dos nomes centrais da história da arte latino-americana, iconoclasta nato que pôs o ódio aos totalitarismos, da política e da Igreja Católica, no centro de uma obra política até o fim e cheia de tesão até não poder mais.
CAFÉ DA MANHÃ O designer Humberto Campana, à frente do Estúdio Campana, foi escalado para desenhar a nova loja da Tiffany no shopping JK Iguatemi, em São Paulo, e todas as suas vitrines pelo mundo.
DINHEIRO NA MÃO Empresa de infraestrutura e mobilidade urbana à frente de grandes obras em todo o país, a Motiva vai destinar R$ 1,3 milhão para financiar ações educativas do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e da Pinacoteca do Estado de São Paulo.
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noticia por : UOL





