A maioria dos brasileiros defende que o abastecimento interno de alimentos deve ser prioridade no país, acima das exportações. Segundo pesquisa da Nexus em parceria com a Ajinomoto do Brasil, 62% afirmam que garantir comida para o mercado doméstico deve ter prioridade total ou maior do que vender ao exterior.
Outros 26% dizem que o ideal é manter equilíbrio entre produção interna e exportações. Apenas 8% defendem que o país priorize o mercado externo, enquanto 4% não souberam responder.
O levantamento mostra que a defesa do foco no abastecimento interno é mais forte no Sul e no Sudeste, onde 66% dos entrevistados adotam essa posição. O índice também é maior entre pessoas com ensino superior (64%) e renda entre dois e cinco salários mínimos (64%).
Já a prioridade às exportações aparece com mais frequência no Norte e no Centro-Oeste (12%), entre entrevistados com ensino fundamental (11%) e entre quem recebe até dois salários mínimos (10%).
O dado surge em um momento em que os preços no campo vêm caindo para parte dos alimentos voltados ao consumo interno, como arroz, feijão e hortifrútis, enquanto produtos mais ligados ao mercado externo, como carnes, soja e café, seguem com valores mais altos sustentados pelas exportações. Em 2025, o agronegócio manteve crescimento das vendas externas, mesmo sob restrições comerciais, ao passo que a maior oferta ajudou a aliviar a inflação dos alimentos consumidos no país.
A pesquisa ainda revelou que 84% dos brasileiros reconhecem o Brasil como um dos protagonistas da produção global de alimentos. Desse total, 43% colocam o país na liderança mundial e 41% afirmam que ele tem grande importância no cenário internacional.
A percepção de protagonismo é mais elevada entre pessoas com ensino superior e moradores do Sul (91%) e entre entrevistados de 45 a 60 anos (88%).
A pesquisa também indica que o tema do abastecimento vem acompanhado de cobranças por mudanças no modelo produtivo. Para 84% dos entrevistados, o governo deveria criar políticas que incentivem a produção de alimentos mais sustentáveis. Outros 80% avaliam que a forma de produzir e consumir precisa mudar para reduzir impactos ambientais.
O levantamento ouviu 2.012 pessoas em todas as unidades da federação, entre 26 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
com DIEGO ALEJANDRO, KARINA MATIAS e VICTÓRIA CÓCOLO
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noticia por : UOL




