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Cuiaba - MT / 7 de março de 2026 - 4:15

Impacto no petróleo do conflito entre Irã e Israel pode durar anos

A ameaça de Israel ou dos EUA atacarem o Irã pairou sobre os mercados de petróleo por décadas. Agora que isso aconteceu, no entanto, o mercado parece inseguro em suas tentativas de precificar as implicações para o setor energético.

Até agora, houve interrupções mínimas no fornecimento e o mercado de petróleo foi apenas ligeiramente perturbado pelo conflito em curso.

Os preços do petróleo Brent subiram apenas cerca de US$ 10 desde o início do conflito, há dez dias, já que o grupo Opep 8+ de principais produtores de petróleo —Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã— já está revertendo cortes de produção em um ritmo acelerado, reduzindo temores de oferta no curto prazo.

Claro, muito dependerá se o conflito entre Israel e Irã irá se intensificará mais, enquanto o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e seus conselheiros pensam em opções que vão de ruins a piores. Mas um resultado muito plausível e provável é que o Irã se entrincheirará em vez de se apressar para aceitar um acordo nos termos impostos pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

O país pode sentir que precisa realizar ataques simbólicos contra ativos regionais dos EUA, mas reconhecerá que atacar diretamente bases militares americanas ou tentar interromper os fluxos energéticos regionais provocaria uma reação militar dos EUA muito mais pesada. Portanto, tentativas de fechar o crítico estreito de Hormuz, passagem entre o Irã e os países do Golfo para o transporte de petróleo, permanecem como último recurso e improvável.

Mas interrupções de curto prazo ainda são um risco, e as implicações de médio prazo do conflito iraniano podem potencialmente ser mais graves, especialmente se Israel e os EUA estiverem muito empenhados em pressionar por uma mudança de regime. Se houver uma luta pelo poder, facções linha-dura ou extremistas religiosos poderiam sair vitoriosos. Também haverá maior potencial para agitação entre grupos minoritários iranianos, particularmente os curdos e balúchis, bem como militantes islâmicos.

A médio prazo, qualquer instabilidade política doméstica significativa provavelmente prejudicará a produção iraniana de petróleo e gás, particularmente em cenários extremos onde o país se fragmenta ou resulta em uma guerra civil. Períodos anteriores de turbulência em países da Opep, como a revolução do Irã de 1979, a Guerra do Golfo de 1991, o golpe na Venezuela em 2002 e a guerra civil na Líbia em 2011, causaram grandes interrupções na produção de petróleo, que levaram anos ou até décadas para resolver, frequentemente levando a preços mais altos do barril.

Embora as circunstâncias de cada crise sejam diferentes, o resultado geral é que a instabilidade política frequentemente ameaça a produção por anos, muitas vezes levando a preços mais altos do petróleo por períodos variados.

O impacto de médio prazo na produção iraniana poderia ocorrer em um momento em que o amplo grupo de países da Opep+ fica com menos capacidade ociosa, tendo acelerado seu aumento de produção neste verão (inverno no Brasil).

Espera-se também que a produção de petróleo dos EUA atinja seu pico por volta de 2027, com os preços despencando neste ano, como ocorre desde o início da guerra tarifária mundial, levando a uma queda no número de plataformas de perfuração implantadas. Isso dificultará que a produção alcance os níveis previstos anteriormente.

Embora os operadores dos EUA continuem a aumentar a taxa com que podem perfurar com as plataformas existentes, eles também enfrentam cada vez mais uma degradação na produção por pé lateral à medida que as melhores rochas são perfuradas. Além disso, a proporção crescente de gás proveniente de projetos de xisto em relação ao petróleo poderia representar desafios adicionais para os produtores dos EUA. De fato, o setor de xisto está ficando cada vez mais gasoso à medida que amadurece.

Nesse contexto, a demanda por petróleo não deve atingir o ápice tão cedo. Se algo mudou, foi o retorno de Trump à presidência dos EUA com base em uma promessa eleitoral abertamente pró-combustíveis fósseis e preocupações com a inflação sobre o custo de energia mais verde nos países da OCDE, que desaceleraram a transição para um sistema de baixo carbono. Nos EUA, a proposta de eliminação dos créditos fiscais para veículos limpos, juntamente com o recuo nos padrões de emissões de veículos, levará a uma demanda maior do que a prevista, mesmo que permaneça inferior à de 2025.

De fato, agora esperamos que a demanda global por combustíveis líquidos se mantenha acima de 100 milhões de barris por dia até a década de 2040 —um nível alinhado com o previsto para 2025— mesmo que as energias renováveis continuem a dominar nossas perspectivas para o crescimento da energia elétrica. Depois de atingir o pico de 111 milhões de barris por dia no início da década de 2030, a demanda global por energia líquida diminuirá gradualmente, à medida que a forte demanda petroquímica compensar as contrações na maioria dos outros setores.

Tudo isso significa que o mercado de petróleo pode ser embalado em uma sensação de complacência no curto prazo em meio à posição enfraquecida do Irã. Mas isso pode muito bem ser o catalisador para preços mais altos nos próximos anos, à medida que a produção iraniana diminui justamente quando outras fontes de oferta atingem seu pico.

noticia por : UOL

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Cuiaba - MT / 7 de março de 2026 - 4:15

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