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Cuiaba - MT / 13 de março de 2026 - 4:29

Força-tarefa resgata indígenas por suspeita de condições análogas à escravidão em SP

Quarenta e quatro trabalhadores foram encontrados em condições que seriam análogas às de escravidão na região de Araçatuba, no interior de São Paulo, segundo o Ministério Público do Trabalho e o Ministério do Trabalho e Emprego.

Os dois órgãos fizeram uma operação conjunta no início do mês. O alvo foi o Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral e dos Estivadores e Capatazes de Araçatuba.

Quatro dos trabalhadores resgatados são indígenas das etnias terena, guarani e caiuá e estavam em um alojamento localizado em Votuporanga. Segunda a fiscalização, eles viviam em situação de extrema vulnerabilidade, com salários atrasados e sem alimentação.

A força-tarefa apurou que os indígenas eram recrutados por intermediários em aldeias. Nos destinos, no entanto, eles enfrentavam jornadas exaustivas no descarregamento de sacos de soja e de café, sem folga semanal fixa e sistemas de pagamentos duvidosos.

A operação aconteceu entre os dias 2 e 6 deste mês e foi divulgada nesta quinta-feira (12).

Em Floreal, trabalhadores oriundos do Mato Grosso do Sul aguardavam há 15 dias o início da safra e, nesse período, ficaram sem remuneração e com dificuldades de comprar mantimentos básicos.

Em Buritama, os fiscais verificaram que era feito um desconto de 13% sobre os valores pagos aos trabalhadores, a título de contribuição assistencial. Eles também precisavam pagar os custos com alimentação, o que criava o risco de endividamento.

Em nota, o Ministério Público do Trabalho informou que todos os alojamentos fiscalizados tinham problemas graves de higiene e conforto, com forte odor e calor intenso, além de banheiros precários.

A força-tarefa investiga o caso de um trabalhador que morreu soterrado em uma carreta de soja. O homem vivia em situação de rua e prestou dois anos de serviços avulsos.

“A submissão de trabalhadores a alojamentos degradantes e a jornadas que ignoram o descanso semanal é uma afronta direta à dignidade da pessoa humana. O que observamos na região de Araçatuba é a desestruturação completa das garantias trabalhistas, especialmente contra populações vulneráveis como os indígenas, que são atraídos por promessas de renda e acabam em um ciclo de precariedade e até risco de morte”, afirmou a procuradora Regina Duarte da Silva, coordenadora nacional de erradicação do trabalho escravo e enfrentamento ao tráfico de pessoas na 15ª Região.

O sindicato fiscalizado assinou um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) com prazos para o pagamento de verbas rescisórias e indenizações, além da regularização das condições de trabalho e moradia.

A investigação e o monitoramento da situação vão continuar.

noticia por : UOL

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Cuiaba - MT / 13 de março de 2026 - 4:29

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