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Cuiaba - MT / 7 de março de 2026 - 5:52

Ex-copiloto diz que avião da Voepass não estava em condições de voar

Um ex-copiloto da companhia aérea Voepass afirmou que a aeronave da companhia que caiu há um ano interior do estado de São Paulo não estava em condições de voar, segundo reportagem exibida pelo Fantástico na noite deste domingo (3).

Luís Claudio de Almeida teria voado diversas vezes no modelo ATR 72-500, prefixo PS-VPB, o mesmo que caiu na cidade de Vinhedo em 9 de agosto de 2024 matando todas as 62 pessoas a bordo.

Almeida ainda declarou durante a reportagem que o sistema responsável por remover o gelo que costuma se formar nas asas apresentava falhas recorrentes.

Segundo ele, o sistema funcionava por pouco mais de um minuto antes de parar. “Você ligava, ele caía, você ligava, ele caía”, declarou.

Ao responder à acusação, a Voepass afirmou que suas aeronaves estavam aptas a voar. A empresa não pode mais operar o transporte aéreo desde junho deste ano por decisão da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Também na reportagem do programa da TV Globo, um áudio de uma conversa atribuída a dois funcionários do setor de manutenção da companhia apresenta falas em que um homem se diz arrependido de não ter reportado possíveis problemas no equipamento.

Em uma das frases, o homem diz estar com um remorso desgraçado. O diálogo, segundo a reportagem, teria ocorrido em um contexto em que os trabalhadores falavam sobre a pressão para realizarem vistorias em um curto espaço de tempo no centro de manutenção da companhia na cidade de Ribeirão Preto (SP).

A suposta falha no sistema contra a formação de gelo ainda teria sido relatada informalmente pelo comandante, mas ele não teria formalizado a queixa.

Relatório preliminar divulgado em setembro do ano passado pelo Cenipa, órgão de prevenção e investigação de acidentes aéreos, já apontava que a formação severa de gelo nas asas pode ter provocado uma inclinação abrupta e involuntária do avião momentos antes da queda.

O ATR 72-500 se preparava para iniciar o procedimento de pouso em Guarulhos, virando ligeiramente à direita, quando repentinamente mudou de direção e se inclinou fortemente à esquerda.

Os dados divulgados mostram acionamentos constantes de avisos de formação de gelo, de perda de velocidade e de acionamentos de sistemas pelos pilotos para que a nave superasse essa condição.

Ainda não há previsão para a divulgação do relatório final do acidente pelo Cenipa.

O acúmulo de gelo nas asas do avião se tornou a principal hipótese para a queda do voo 2283 da Voepass por uma combinação de fatores.

Havia condições que favoreciam a formação de gelo, a aeronave ATR 72-500 voa exatamente na altitude em que esse fenômeno é mais intenso e, além disso, existe um histórico de acidente desse mesmo modelo nessas condições.

É por isso que aviões como o ATR 72-500 dispõem de uma combinação de dois sistemas para lidar com o problema: um elétrico, antigelo, e um pneumático, de degelo.

O sistema elétrico é alimentado pelo giro das turbinas e protege algumas partes da aeronave, como o para-brisa e os pitots (sensores acoplados à fuselagem que medem condições como pressão do ar e velocidade).

Já o mecanismo pneumático é um complemento vital ao elétrico. Câmaras de borracha, instaladas justamente nos bordos de ataque, inflam com ar quente que vem dos motores e, assim quebram o gelo que se acumula nas asas e no estabilizador da cauda.

É necessário acionar o sistema manualmente, o que é procedimento padrão em voos como o 2283 da Voepass, que atravessou grandes áreas propícias à formação de gelo. Uma vez acionado, as câmaras inflam e mudam de formato periodicamente e constantemente para seguir quebrando gelo.

Em junho deste ano, a Anac decidiu cassar o COE (Certificado de Operador Aéreo) da Voepass. Esse é o documento que autoriza uma empresa a operar serviços de transporte aéreo. Sem o COE, a empresa não pode voar comercialmente.

Na prática, a decisão põe fim às operações da empresa, que vinha tentando retomar suas atividades desde o ano passado.

A Anac tinha suspendido cautelarmente os voos da Voepass em 11 de março deste ano, após verificar que uma série de falhas e problemas identificados em aviões da empresa durante inspeções não foram corrigidos.

Em nota, a Voepass afirmou que sua frota sempre esteve apta a realizar voos, seguindo exigências de padrões de segurança internacionais e que confia no trabalho do Cenipa.

noticia por : UOL

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