
Governo Trump revoga visto de embaixadora brasileira nos Estados Unidos
Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (4) a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
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Segundo o Departamento de Estado, a medida é uma resposta à demora do governo brasileiro em conceder o aval diplomático para que Daniel Perez assuma a embaixada americana em Brasília.
O governo norte-americana afirma que a diplomata poderá permanecer no país, mas precisará solicitar um novo visto caso deixe os EUA e queira retornar.
O Itamaraty repudiou a decisão dos EUA, chamou as justificativas norte-americanas de “falsas” e classificou a medida como parte de uma escalada de ações hostis.
Nesta reportagem, você vai encontrar respostas para as seguintes perguntas:
Por que os EUA revogaram o visto da embaixadora?
Quem é Daniel Perez?
Por que a indicação dele gerou atrito?
O que é o aval diplomático?
Os EUA expulsaram a embaixadora brasileira?
O que disse o governo brasileiro?
O que está por trás da crise?
1. Por que os EUA revogaram o visto da embaixadora?
Maria Luiza Ribeiro Viotti, em imagem de 2011
UN Photo/Eskinder Debebe
Segundo o Departamento de Estado, a decisão é uma resposta à demora do governo brasileiro em conceder o aval diplomático para que Daniel Perez assuma a embaixada dos Estados Unidos no Brasil.
Perez foi indicado ao cargo de embaixador dos EUA no Brasil em junho. Há duas semanas, a indicação dele recebeu o aval de uma comissão do Senado norte-americano, mas ainda precisa ser aprovada pelo plenário da Casa.
Além disso, o governo norte-americano reclama que o Brasil ainda não deu o aval diplomático para que Perez ocupe o cargo na embaixada dos EUA em Brasília.
Os EUA afirmam que comunicaram o governo brasileiro “continuamente por semanas” e deram “todas as oportunidades” para que o impasse fosse resolvido, mas dizem que houve sucessivos atrasos.
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2. Quem é Daniel Perez?
Daniel Perez, apontado por Trump como embaixador dos EUA para o Brasil
American Legislative Exchange Council
Daniel Perez, de 39 anos, é presidente da Câmara dos Deputados da Flórida. Filho de imigrantes cubanos, nasceu em Nova York, mudou-se ainda criança para a Flórida e integra o Partido Republicano, o mesmo de Donald Trump.
O indicado para a Embaixada dos EUA no Brasil estava no comando da Câmara da Flórida desde 2024. No ano passado, ele chegou a ser apontado como possível candidato ao cargo de procurador-geral do estado, mas resolveu permanecer na presidência da Casa.
Se aprovado, ele será o primeiro embaixador dos EUA no Brasil desde a saída de Elizabeth Bagley, indicada por Joe Biden. O posto está vago desde janeiro de 2025, quando Trump retornou à Casa Branca.
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3. Por que a indicação dele gerou atrito?
Palácio do Itamaraty
Reprodução/ Agência Brasília
Segundo o blog da Ana Flor, o governo brasileiro ficou incomodado porque a Casa Branca anunciou publicamente a indicação antes de consultar reservadamente o Brasil.
Além disso, o pedido formal de aval diplomático só foi encaminhado mais de duas semanas após o anúncio da indicação.
O governo americano afirma que o Brasil sinalizou que só pretende analisar o pedido depois das eleições presidenciais de outubro.
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4. O que é o aval diplomático?
Antes de um embaixador assumir oficialmente o cargo em outro país, o governo anfitrião precisa concordar com a indicação. Esse procedimento é conhecido como agrément ou aval diplomático.
Tradicionalmente, a indicação só é anunciada publicamente depois que o país anfitrião sinaliza que aceita o nome.
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5. Os EUA expulsaram a embaixadora brasileira?
Não. O governo americano afirmou que a embaixadora do Brasil em Washington não foi declarada persona non grata. Por isso, ela não precisará deixar o país.
Segundo o Departamento de Estado, a diplomata poderá permanecer nos Estados Unidos, mas sem um visto válido. Caso deixe o território americano, ela precisará solicitar um novo visto para retornar.
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6. O que disse o governo brasileiro?
O presidente Lula durante cerimônia em Brasília, em 22 de julho de 2026
REUTERS/Adriano Machado
O Itamaraty repudiou a decisão americana e afirmou que as justificativas apresentadas pelo Departamento de Estado são “falsas”.
O ministério também disse que a revogação do visto faz parte de “uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil” e acusou os Estados Unidos de tentar interferir nas eleições presidenciais brasileiras.
Nos bastidores, diplomatas brasileiros classificaram a medida como uma “chantagem”.
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7. O que está por trás da crise?
A relação entre Brasil e Estados Unidos voltou a se deteriorar no fim de maio, quando a Casa Branca classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Nas semanas seguintes, os EUA anunciaram novas tarifas sobre produtos brasileiros e, em 24 de julho, o Itamaraty negou vistos a dois diplomatas americanos que viajariam ao Brasil.
Segundo reportagem do jornal The Washington Post, os diplomatas fariam parte de uma estratégia para questionar o sistema eleitoral brasileiro, o que foi negado pelo Departamento de Estado.
O governo brasileiro já esperava algum tipo de retaliação diplomática após a negativa dos vistos.
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Fonte: G1






