A esquerda francesa deve manter as Prefeituras de Paris e de Marselha, as duas maiores cidades do país, derrotando candidatos conservadores, segundo projeções de boca de urna divulgadas neste domingo (22). No primeiro turno, o partido de ultradireita de Marine Le Pen havia terminado em posição forte nas duas cidades. O resultado é visto como termômetro para a eleição presidencial de 2027, na qual o presidente Emmanuel Macron não pode concorrer.
Em Paris, o socialista Emmanuel Grégoire, 48, liderava com 53,1% dos votos, à frente da ex-ministra conservadora Rachida Dati, que contava com apoio da ultradireita, segundo estimativa da Ipsos BVA Cesi. Se confirmado, Grégoire será o terceiro prefeito socialista consecutivo da capital desde 2001, sucedendo Anne Hidalgo.
Grégoire era vice de Hidalgo desde 2014. A atual prefeita, desgastada após mais de uma década no poder, decidiu não concorrer a um terceiro mandato e chegou a se afastar do candidato durante a campanha.
Dati, por sua vez, enfrentou a eleição sob investigação por suspeita de corrupção —ela nega as acusações de ter recebido propina de empresas do setor de combustíveis fósseis quando era deputada no Parlamento Europeu.
Em Marselha, as projeções apontam para a reeleição do prefeito em exercício, Benoît Payan, da esquerda moderada, sobre o deputado ultradireitista Franck Allisio. A vitória teria sido facilitada pela retirada do candidato da esquerda radical do partido LFI (A França Insubmissa) do segundo turno, para evitar uma vitória da ultradireita.
No primeiro turno, realizado em 15 de março, o partido de ultradireita RN (Reunião Nacional), de Le Pen, terminou em segundo lugar em Marselha, a apenas alguns pontos percentuais atrás do atual prefeito, e na primeira posição em Toulon. O partido também teve bom desempenho em cidades como Nice e Perpignan, onde busca expandir sua influência para além de sua base tradicional no norte industrial do país.
Lá Fora
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Em Lyon, que completa o trio de maiores cidades da França, os resultados oficiais já foram divulgados. O prefeito ecologista Grégory Doucet foi reeleito com 50,67% dos votos, derrotando por menos de 3.000 votos o ex-presidente do Olympique Lyonnais, Jean-Michel Aulas, apoiado pela direita e pelo centro-direita. Aulas, que afirmou ter constatado “inúmeras irregularidades” durante a votação, anunciou que recorrerá à Justiça.
A participação final ficou em torno de 57%, repetindo o índice do primeiro turno —a segunda maior abstenção da história das municipais, atrás apenas do pleito de 2020, realizado em plena pandemia.
A campanha foi marcada por forte tensão entre os partidos, num contexto de crise política desde as eleições legislativas antecipadas de 2024, que deixaram três blocos, esquerda, centro-direita e ultradireita, sem maioria.
Vitórias e derrotas nos blocos
No campo da centro-direita, o ex-primeiro-ministro Édouard Philippe deve se reeleger em Le Havre, no noroeste francês, consolidando sua candidatura à disputa presidencial de 2027. “Os habitantes de Le Havre sabem que há razões para ter esperança”, disse Philippe à agência AFP. Ele enfrentou rivais de esquerda e da ultradireita.
Os socialistas manteriam ainda Lille, em aliança com os ecologistas, e tomariam destes Estrasburgo, em coalizão, no entanto, com a ultradireita
A LFI deve conquistar Roubaix, mas fracassaria na tentativa de tomar cidades como Toulouse e Limoges, mesmo com apoio de socialistas e ecologistas.
Marine Le Pen celebrou a conquista de “dezenas de localidades” pelo seu partido, mas as projeções apontam para derrotas nos principais objetivos traçados: Marselha, Toulon e Nîmes. Seu aliado Éric Ciotti deve vencer em Nice.
Para o líder do Partido Socialista, Olivier Faure, os resultados confirmaram que a “provocação desmedida” é um “beco sem saída”, e convocou a esquerda à unidade antes da disputa presidencial de 2027, na qual o ultradireitista Jordan Bardella lidera as pesquisas de intenção de voto.
As eleições municipais são vistas como ensaio para a presidencial de abril de 2027, quando será eleito o sucessor de Macron. Com Le Pen inabilitada para concorrer, condenada por desviar fundos do Parlamento Europeu para o caixa de seu partido, o seu braço direito Jordan Bardella lidera as pesquisas. A articulação entre esquerda e centro-direita deve ser decisiva na disputa pelo segundo turno.
noticia por : UOL






