Ivan seguiu modelo feito pelo escritor russo Máximo Gorki. Jovem registrou dificuldades da mesma forma que Gorki havia descrito suas lutas pré-revolucionárias: escreveu sobre o período de fome que a família vivenciou entre 1932 e 1933; o exílio de seu pai e a humilhação pública sofrida por sua mãe e irmãs mais velhas devido ao rótulo de “kulak“.
“Ivan não percebeu que estava fazendo algo potencialmente perigoso”. Ao imitar Gorki, Ivan seguia convenções literárias estabelecidas, explica a pesquisadora. “Mas, ao fazê-lo, quebrou as regras de uma autobiografia pública stalinista, ao discutir temas tabu. Não foi uma expressão de dissidência política consciente, mas um choque de modelos culturais.”

Na Rússia da década de 1930, escrever era uma estratégia fundamental para os adolescentes processarem sua chegada à maioridade e encontrarem seu lugar na sociedade. Mesmo que o diário permanecesse um documento privado, escrever para esses meninos parecia algo muito arriscado, até mesmo existencial. Ekaterina Zadirko, em comunicado divulgado pela Universidade de Cambridge
Um dos últimos trechos escritos por Ivan foi antes de ir para a guerra, em 1941. Menos de um ano depois, ele foi dado como desaparecido. A data exata de sua morte é desconhecida.
Veja alguns trechos do diário de Ivan
A fome surgiu não por causa de uma colheita ruim, mas porque todas as colheitas foram levadas. Kulaks foram exilados em Solovki. Muitos inocentes sofreram. Por não entregar os grãos, que nos foram tirados, nosso pai foi enviado para a Sibéria… Sem pão… e nosso pai, nós estávamos famintos… colhíamos espigas (era proibido coletar espigas, e muitas vezes os capatazes levavam as espigas e nossas sacolas); levávamos para casa a palha e fazíamos bolos com ela. (1932/1933)
noticia por : UOL





