Concorrente da patrocinadora oficial do Carnaval de Rua de São Paulo, a cerveja Amstel, que pertence ao grupo Heineken, vai patrocinar blocos tradicionais da capital paulista.
Tarado Ni Você e Pagu, que chegaram a anunciar o risco de não sair, estão entre os que vão receber apoio. A Espetacular Charanga do França e o bloco Agora Vai também serão patrocinados pela marca. Todos eles desfilam há mais de dez anos pelas ruas da região central de São Paulo.
A Amstel, no entanto, não poderá ter suas cervejas vendidas nesses blocos, já que a Ambev pagou R$ 30,2 milhões à Prefeitura de São Paulo para ter exclusividade na venda de seus produtos pelos ambulantes que circulam por todos os blocos credenciados da cidade.
Em entrevista à Folha, Cecilia Bottai, vice-presidente de marketing do grupo Heineken, críticou o que considera falta de apoio a blocos tradicionais.
“É nosso compromisso manter essa tradição viva e o direito de quem realmente faz o Carnaval da cidade ocupar o seu lugar. Carnaval de rua é sobre brasilidade, é sobre tradição, é sobre as pessoas celebrarem a cultura brasileira. Como marca, temos um importante papel de não deixar o Carnaval de rua da cidade se transformar em algo desconexo, sem identidade, sem alma e que nada tenha a ver com a cultura brasileira”, afirmou.
A marca também patrocinou o Acadêmicos do Baixo Augusta, que no último domingo (8) precisou dividir a avenida da Consolação com o Bloco Skol —marca da cervejaria patrocinadora do evento. O encontro dos dois grandes blocos terminou em tumulto, colocando os foliões em risco.
Agremiações têm reclamado do modelo atual de financiamento do Carnaval feito pela gestão Ricardo Nunes (MDB), sob o argumento de que ele privilegia megablocos com artistas de fora em vez daqueles que têm ligação com a cidade.
O Bloco Skol trouxe pela primeira vez ao Carnaval de São Paulo o DJ escocês Calvin Harris.
Apesar de não poder comercializar sua cerveja, a Amstel poderá ser distribuída, como cortesia, aos músicos e convidados dos blocos patrocinados. A marca também pode expor seu nome e logo nos trios, além de distribuir brindes aos foliões.
Cecilia também criticou a exclusividade de venda das bebidas para a patrocinadora. “Entendemos que os consumidores devem ter o direito de escolha. É uma questão democrática que não é aplicada nas regras do modelo atual de patrocínio durante o Carnaval paulistano”, disse.
No fim de semana de pré-carnaval e nos últimos anos, equipes da prefeitura atuaram para fiscalizar se os ambulantes trabalhavam credenciados e se vendiam apenas os produtos escolhidos pela Ambev, sob o risco de terem seus produtos apreendidos.
Em nota, a gestão Nunes disse que, “a despeito das supostas críticas”, a cidade receberu neste ano um número recorde de blocos para desfilar no Carnaval de Rua. Também destacou ter feito destinado R$ 2,5 milhões para o fomento dos desfiles.
“Como sempre aconteceu no carnaval de São Paulo, é de responsabilidade dos organizadores de blocos se viabilizarem economicamente para a festa por meio de patrocínio”, disse.
Destacou ainda que o valor pago pela Ambev para patrocinar o Carnaval custeia 100% da estrutura para realização dos desfiles em 2026, disponibilizando aos organizadores dos blocos e aos foliões banheiros, gradis, segurança e outros itens essenciais para a festa.
“Com o patrocínio privado, a prefeitura economiza para os cofres públicos cerca de R$ 30 milhões. Cabe ressaltar que a definição do patrocinador ocorreu por processo licitatório, respeitando os princípios de transparência e concorrência, e o contrato de exclusividade foi firmado com a empresa que apresentou a melhor proposta”, afirmou a gestão Nunes.
noticia por : UOL




