Como chamariz para financiar placas solares, o Banco do Brasil passou a promover a Broto, plataforma de agronegócio da instituição que, entre outras funcionalidades, oferece uma calculadora que simula a redução na conta de luz de produtores rurais que optarem pela energia solar.
Segundo o banco, o uso dessa funcionalidade mais que dobrou (142% de crescimento) em um ano, gerando novos financiamentos, sobretudo a produtores de maior porte, cujo consumo energético é mais intenso e a economia na conta de luz gera ganho de margem. O ticket médio desses negócios é de aproximadamente R$ 233 mil.
Agora, o BB também quer incentivar crédito para energia solar a pequenos e médios produtores, que possuem custos recorrentes com eletricidade, como para ordenha mecânica, que podem ser reduzidos.
Uma simulação feita na ferramenta usando uma propriedade rural em Indaiatuba (SP), com conta de energia média mensal de R$ 1.500, mostra que o custo anual com eletricidade reduziu de R$ 19.080 para R$ 804 com a instalação de placas solares. Ou seja, uma economia de R$ 18.276,00 já no primeiro ano.
A simulação considerou a instalação de 28 painéis solares em uma área descoberta de 84 m² com geração média diária de 74,64 kWh (kilowatt-hora). O investimento inicial estimado varia entre R$ 62.204 e R$ 76.027 com retorno previsto em cerca de 3,66 anos.
O retorno é o período em que esse investimento inicial na instalação dos equipamentos é amortizado (se paga) com a economia gerada na conta de luz.
“Com as tecnologias mais acessíveis e as linhas de crédito disponíveis, produtores de todos os perfis têm a oportunidade de investir em soluções sustentáveis que geram economia real e previsibilidade no longo prazo”, diz José Evaldo Gonçalo, presidente do Broto.
Economia para uns, encarecimento para os outros
A forte redução no custo de energia é possível graças aos subsídios instituídos para incentivar o uso de painéis fotovoltaicos nos locais de produção, ou perto deles. A possibilidade de produção de energia pelo próprio consumidor é conhecida no mercado como “geração distribuída”.
Mas a manutenção desses incentivos até hoje é criticada por muitos especialistas, porque essa economia é repassada à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo bancado por toda a população.
Fernando Teixeirense, diretor de Relações Institucionais da Abrace, associação que representa os grandes consumidores de energia, diz que muitas pessoas que usam painéis solares não se dão conta de que, para conseguir utilizar o dia todo energia a partir de uma fonte intermitente, como é a solar, é preciso também usar o sistema elétrico tradicional nas horas que não há sol, sem, no entanto, pagar por isso.
Isso acaba cumulativamente respingando no bolso de quem não tem painéis solares. “O excesso de subsídios é razão para a conta de luz estar impagável hoje em dia. Isso tornou o setor elétrico totalmente disfuncional”, diz.
Com Stéfanie Rigamonti
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noticia por : UOL





