Durante uma discussão na sessão da Câmara de Curitiba nesta quarta-feira (5), a vereadora delegada Tathiana Guzella (PL) perguntou à vereadora Vanda de Assis (PT) por qual motivo a petista não voltava para a cidade onde nasceu, no Ceará.
A fala foi apontada como xenófoba pela parlamentar do PT, que afirmou que tomará medidas judiciais.
A Folha fez contato com a assessoria de Tathiana, que encaminhou uma nota sobre o episódio. Nela, a vereadora do PL afirma que foi interrompida, o que prejudicou sua manifestação. A intenção, segundo ela, seria “estabelecer uma crítica aos resultados das políticas públicas implementadas por administrações do PT no Ceará”.
A vereadora do PL exerce seu primeiro mandato na Casa e é pré-candidata a deputada estadual. Ela é casada com o deputado estadual delegado Tito Barichello (PL) —o casal, que se apresenta como “casal da lei”, se diz fã do ex-presidente Jair Bolsonaro e é conhecido pela agenda armamentista.
Vanda utilizava a tribuna do plenário para contestar um projeto de lei envolvendo pessoas em situação de rua. O texto é de autoria do vereador João Bettega (PL) e também recebeu apoio de Tathiana.
Durante o discurso da petista, Tathiana pediu espaço para se manifestar e, do seu assento no plenário, se dirigiu à Vanda: “Vereadora, a senhora é de Campos Sales, no Ceará?”, iniciou Tathiana. “Se a senhora gosta tanto de proteger [inaudível], gosta tanto de elogiar o PT, a atuação do PT, os partidos correlatos ao PT, por que a senhora não volta para o Ceará? A senhora nasceu lá e vem encher o saco aqui”, atacou a parlamentar do PL.
Ainda na tribuna, Vanda afirmou em seguida que xenofobia é crime e que a vereadora errou. “A senhora será representada por isso. Eu não aceitarei nenhuma prática xenofóbica nem comigo nem com nenhuma pessoa que escolheu morar em Curitiba. A senhora pensa que está acima da lei, mas aqui a senhora está vereadora e tem um código de ética a cumprir”, respondeu a petista.
“Eu sou a primeira vereadora nordestina eleita em Curitiba e um dos papéis que vou cumprir aqui é combater a xenofobia, de vereadores conservadores de extrema direita e de quem nesta sociedade quiser ser xenofóbico com qualquer pessoa”, continuou ela, que exerce o primeiro mandato na Casa e é pré-candidata a deputada estadual.
A assessoria de Tathiana encaminhou uma nota em que afirma que a parlamentar teve sua manifestação interrompida antes de concluir seu raciocínio. “A referência ao estado do Ceará decorreu do fato de que a vereadora Vanda de Assis é filiada ao Partido dos Trabalhadores e natural daquele Estado, governado, desde 2007, por sucessivas administrações alinhadas ao campo político da esquerda”, diz a nota.
“A intenção da parlamentar era estabelecer uma crítica aos resultados das políticas públicas implementadas por essas administrações, especialmente diante do expressivo crescimento da população em situação de rua registrado naquele período, e não fazer qualquer referência depreciativa ao estado, ao povo cearense ou à população nordestina”, segue a nota.
A parlamentar também afirma na nota que “repudia qualquer tentativa de atribuir caráter xenofóbico à sua manifestação” e que a acusação “não encontra respaldo em sua trajetória pessoal nem em sua atuação parlamentar”. Acrescenta ter registrado boletim de ocorrência contra Vanda pela suposta prática de crime contra a honra.
Em nota à Folha, Vanda afirmou que vai tomar “todas as medidas judiciais cabíveis dentro e fora da Câmara” e que não pretende naturalizar o episódio ou tratá-lo como divergência política.
“O que mais me indigna é pensar que isso aconteceu dentro da Câmara Municipal, a casa do povo, em uma sessão pública transmitida ao vivo. Se uma parlamentar se sente à vontade para praticar xenofobia nesse espaço institucional, imagine o que vivem diariamente tantas pessoas migrantes que enfrentam o preconceito longe das câmeras e sem a visibilidade de um mandato”, disse Vanda.
O caso repercutiu na Casa e gerou protestos de parlamentares aliados. O presidente estadual do PT, deputado estadual Arilson Chiorato, divulgou uma nota de repúdio, em que diz que “a fala da bolsonarista não representa o sentimento do povo curitibano e paranaense com as irmãs e irmãos de todos os estados brasileiros”.
noticia por : UOL





