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Cuiaba - MT / 16 de outubro de 2026 - 10:00

Starlink: como empresa de Musk influencia a geopolítica global

Ucrânia: Desde o início da guerra de agressão da Rússia, em fevereiro de 2022, a Starlink tornou-se uma das ferramentas de comunicação mais importantes na zona de guerra. Os militares utilizam o Starlink para coordenar unidades, operar drones e controlar sistemas terrestres não tripulados. No setor civil, o sistema é utilizado por hospitais, serviços de emergência, fornecedores de energia e a ferrovia ucraniana, entre outros.

Na Ucrânia, ficou particularmente evidente o quanto a capacidade de atuação militar do país passou a depender da Starlink. Nesta semana, unidades do Exército ucraniano relataram restrições na transmissão de dados, o que teria prejudicado significativamente, em especial, a operação de drones de combate, interceptação e reconhecimento. O fundador da SpaceX, Elon Musk, afirmou que as limitações de velocidade e de uso do serviço militar da empresa são determinados pelo governo dos Estados Unidos e, em última instância, pelo presidente americano. Ainda não está claro quem foi o responsável por decidir a restrição específica relatada.

Sudão: Na guerra civil sudanesa, a Starlink é usada principalmente pelas Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar que luta contra o Exército estatal. Centenas de dispositivos foram contrabandeados para o país através dos Emirados Árabes Unidos, e um verdadeiro mercado negro de terminais Starlink se estabeleceu. As RSF usam esses dispositivos para comunicação e coordenação entre suas milícias, enquanto as Forças Armadas Sudanesas (SAF) tentam bloquear sua importação e uso.

Irã: No início deste ano, protestos em todo o país eclodiram contra o regime em Teerã, que respondeu, entre outras coisas, desligando a internet. No entanto, relatos indicam que milhares de terminais foram contrabandeados para o país e revendidos no mercado ilegal. Isso permitiu que manifestantes usassem a Starlink para coordenar seus atos contra o regime, apesar da censura estatal da internet.

As autoridades iranianas reprimem duramente o serviço de internet via satélite e seus usuários. Mohammad Amin Aghamiri, secretário do Conselho Supremo do Ciberespaço do Irã, classificou a Starlink como uma “ferramenta de guerra” hostil e afirmou que o regime dispõe de diversos mecanismos para interromper as conexões via satélite.

A Starlink é oficialmente proibida no Irã. Quem utilizar o serviço apesar da proibição pode ser condenado a penas de prisão de seis meses a dois anos. Em casos associados a acusações de ameaça à segurança nacional ou espionagem, a pena de morte também pode ser aplicada.

noticia por : UOL

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