Anúncio

Cuiaba - MT / 11 de outubro de 2026 - 9:28

'Escudo' de Flávio Bolsonaro, Marçal produz onda de conteúdos e deixa em aberto convite a eventual governo

Quando registrou sua candidatura à Presidência da República, já inelegível, o influenciador Pablo Marçal (PRTB) deu margem para suspeitas sobre seu real objetivo com a empreitada natimorta.

Afirmou, em agosto, em entrevista à produtora Brasil Paralelo, que Flávio Bolsonaro (PL) havia sido a primeira pessoa para quem ligara após a decisão. “Não tem ninguém nessa campanha para servir de escudo. Então, antes de falarem besteira, pensem que o Capitão América chegou com o escudo”, disse.

Desde então e, principalmente, a partir da votação do primeiro turno, o empresário colocou a serviço do filho de Jair Bolsonaro (PL) o grande alcance e engajamento que detém nas redes sociais —no Instagram, Marçal conta com 14 milhões de seguidores.

O influenciador tem divulgado um grande volume de publicações de teor antipetista e favoráveis à candidatura do senador, com pedido expresso de voto e uso de inteligência artificial.

Um dos conteúdos produzidos com a ferramenta, publicado na sexta-feira (9), simula a prisão do presidente Lula (PT) por autoridades americanas, aludindo à captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro e às preocupações sobre uma possível interferência mais direta dos Estados Unidos no processo eleitoral.

Também na sexta, na reestreia de seu programa eleitoral na TV, Flávio anunciou que, se eleito, criará o Ministério da Prosperidade, que deve reunir os principais programas sociais do governo.

Como mostrou a coluna Painel, a estrutura está sendo definida por Marçal, pela ex-presidente da Caixa Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha, e pelo empresário Filipe Sabará, que liderou o plano de governo do influenciador quando ele concorreu à Prefeitura de São Paulo em 2024.

Em mensagens trocadas com a Folha nesta sexta, Marçal afirmou que a possibilidade de integrar eventual governo Flávio está “em aberto”. Um integrante da equipe do filho de Bolsonaro, contudo, disse que não há conversas sobre a participação do influenciador em uma possível gestão.

Segundo o Painel, o candidato do PL vem pensando sobre o novo ministério desde dezembro do ano passado, quando participou de um evento na casa de Marçal, levado por Sabará.

O influenciador ficou famoso por vender cursos que prometem mudar a mentalidade das pessoas e ensiná-las a prosperar.

Quando anunciou oficialmente que apoiaria a candidatura de Flávio, no fim de setembro deste ano, em uma agenda pública numa academia de jiu-jitsu em São Paulo, o empresário disse estar “se integrando” à equipe do candidato do PL e insinuou que poderia participar de um futuro governo.

O senador, por sua vez, afirmou que Marçal é um “grande empreendedor” e que iria “ajudar nessa parte de empreendedorismo e mobilidade social”.

Naquele dia, aliados do influenciador aventaram que ele teria sido sondado para assumir um futuro Ministério do Empreendedorismo. Interlocutores de Flávio, porém, negaram a afirmação.

Como noticiou a Folha nesta sexta, o PT protocolou uma ação de investigação judicial eleitoral (Aije) no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), pedindo a cassação da chapa de Flávio por suposto uso irregular dos perfis em redes sociais de Marçal para disseminação de propaganda eleitoral e informações falsas.

Os advogados do partido argumentam que o candidato do PL comete irregularidade por não ter informado ao tribunal que o perfil de Marçal se tornou uma conta oficial de campanha. De acordo com as regras eleitorais, usuários usados pelas campanhas estão sujeitos a restrições, como vedação a recomendações.

Procurada pela Folha, a equipe de Flávio afirmou que o influenciador não integra a estrutura da campanha. Nas redes, Marçal disse que “ninguém manda” em seu Instagram e que triplicaria o número de postagens.

Nesta sexta, o empresário escreveu à reportagem que não faz parte, oficialmente, da campanha. “Fui candidato e sou independente”, disse, por mensagem de texto. “Estou só apoiando.”

Ao menos até quarta-feira (7), constava na biografia do influenciador no Instagram os dizeres “Equipe Flávio Bolsonaro 22”. Após a ação do PT, a frase já não estava mais lá.

Além das postagens em massa, Marçal também tem estimulado que seguidores ingressem em um canal do WhatsApp nomeado “Tropa do Flávio”, que mobiliza e orienta apoiadores na reta final da campanha, fazendo frente à movimentação digital do campo petista, liderada pelo deputado federal André Janones (Rede).

No canal de Flávio, que já contava com 1 milhão de seguidores, são publicados conteúdos de políticos bolsonaristas, como os deputados federais Nikolas Ferreira (PL) e Gustavo Gayer (PL), além do próprio Marçal.

Na quarta, o videomaker e empresário Nahuel Medina, braço-direito do influenciador, participou de uma transmissão ao vivo com Kevim Flores, idealizador do site B22token, que dá criptomoedas para usuários que compartilharem a mensagem B22 e conteúdos que incentivem o voto em Flávio.

“A gente vai conseguir com que várias pessoas que votaram no 13 compartilhem em suas redes sociais o B22”, afirmou Flores.

Como revelou a Folha, o site foi divulgado em um perfil do Instagram com 12,9 milhões de seguidores, o “hyperskidsafrica”, que arrecada recursos para construir casas para crianças em Uganda, na África. Em um vídeo publicado na conta, as crianças estimulam as pessoas a comprar e compartilhar B22. “Por favor, confiem em Nikolas Ferreira, Flávio Bolsonaro, Pablo Marçal.”

No dia 11 de setembro, o TSE rejeitou por unanimidade o registro de candidatura de Marçal à Presidência. O TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo o havia condenado a oito anos de inelegibilidade por uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha eleitoral de 2024.

Antes da derrubada do registro, o influenciador concentrou sua artilharia contra Lula e Renan Santos (Missão), único candidato do campo da direita que fazia ataques mais diretos e constantes contra Flávio Bolsonaro. Neste período, Marçal também poupou o candidato do PL de críticas.

Após o cancelamento do debate da TV Globo, na semana anterior ao primeiro turno, Flávio fez uma live com Daniella Marques e Marçal.

Na ocasião, sentado ao lado do influenciador, o candidato lhe agradeceu “por ter entrado para o time e contribuído com sua capacidade e seu talento”. “Tenho certeza que vai poder contribuir muito com o Brasil”, afirmou.

Durante a campanha à Prefeitura de São Paulo, o influenciador acumulou controvérsias, como o incentivo a um concurso de cortes considerado irregular pela Justiça Eleitoral e a disseminação de mentiras contra seu adversário, Guilherme Boulos (PSOL). Como revelou a Folha, o empresário se aproveitou de um processo envolvendo um homônimo para acusá-lo falsamente de usar drogas.

Naquela campanha, Marçal desidratou o prefeito Ricardo Nunes (MDB), que contou com um apoio relutante da família Bolsonaro, e quase chegou ao segundo turno. Quando o ex-presidente se posicionou a favor de Nunes, muitos de seus seguidores não acompanharam sua diretriz e mantiveram o apoio ao influenciador, que balançou a hegemonia do clã.

Em entrevista à Folha em novembro de 2025, o empresário afirmou que a direita era refém de Bolsonaro e defendeu um “outsider” para a eleição de 2026. Cerca de 15 dias depois, ungido pelo pai, Flávio anunciou que concorreria à Presidência.

Em pouco mais de dez dias, Marçal mudou o discurso e manifestou apoio ao senador, que participou de uma mentoria no Alphaville, bairro de alto padrão na região metropolitana de São Paulo. Ali fica uma espécie de meca do influenciador, para onde milhares de seguidores que compram os cursos do empresário são atraídos em busca da prosperidade.

À época, aliados de Flávio diziam acreditar que Marçal poderia ser uma carta na manga da campanha, entregando capilaridade digital e aumentando o apelo do filho de Bolsonaro entre os eleitores das periferias.

noticia por : UOL

Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram
Anúncio

Cuiaba - MT / 11 de outubro de 2026 - 9:28

LEIA MAIS

Anúncio