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Cuiaba - MT / 11 de outubro de 2026 - 5:51

Captação de dívida para IA desacelera diante da crescente cautela dos investidores com a onda de endividamento


Londres e Nova York

|Financial Times
O volume de novas dívidas captadas por empresas de tecnologia para ajudar a financiar projetos dispendiosos de inteligência artificial caiu acentuadamente no mês passado, à medida que investidores reavaliaram os riscos do setor após meses de endividamento desenfreado.

A emissão global de dívida relacionada à IA caiu para US$ 23 bilhões (RS 114,79 bilhões) em setembro, menos da metade do montante captado no mês anterior, segundo dados compilados pelo Morgan Stanley, que abrangem tanto títulos públicos quanto operações de colocação privada. O novo financiamento vem caindo de forma constante desde que o mercado atingiu o pico em junho, quando empresas captaram o recorde de US$ 113 bilhões (R$ 564 bilhões) para ajudar a pagar por infraestrutura essencial à tecnologia, incluindo data centers e chips.

Dois trabalhadores, um com colete amarelo e capacete branco, outro com camiseta cinza, conversam em canteiro de obras. Máquina de terraplenagem vermelha está parada sobre terra solta, próximo a cones laranja e estrutura metálica.

As obras estão em andamento em River Bend, o campus de data centers de IA da Hut 8, em 5 de outubro de 2026, em Saint Francisville, Louisiana

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Kathleen Flynn/Getty Images via AFP

No mercado americano de títulos com grau de investimento, no qual grandes grupos de tecnologia captaram cerca de US$ 306 bilhões (R$ 1,5 trilhões) entre janeiro e agosto, a emissão de títulos relacionados à IA parou por completo no mês passado.

O Morgan Stanley afirmou que a queda nas novas emissões foi causada principalmente pelo grande volume de dívida já captado no início deste ano. Mas também cresciam entre os investidores as preocupações sobre se investimentos tão elevados dariam retorno no longo prazo, enquanto a construção de data centers enfrentava oposição política cada vez maior.

O recuo ocorre em um momento delicado para o setor, enquanto investidores avaliam o grau de exposição que já têm à IA e examinam o aumento do endividamento de algumas empresas e suas necessidades incertas de despesas de capital.

“O financiamento efetivo do dia a dia está ficando um pouco mais complicado”, disse John Aylward, fundador da gestora de crédito londrina Sona Asset Management, durante o Private Capital Summit, promovido pelo FT e pela Latham & Watkins em Londres nesta semana. “Todos estão sendo procurados, e todos estão ficando um pouco mais rigorosos.”

O ritmo das emissões de dívida impulsionadas pela IA disparou neste ano. Estima-se que empresas tenham captado até agora US$ 466 bilhões (R$ 2,3 trilhões) em dívida vinculada à IA em 2026, segundo o Morgan Stanley, ante US$ 101 bilhões (R$ 504 bilhões) no mesmo período do ano passado. O volume de nova oferta de dívida permitiu que investidores de crédito exigissem rendimentos mais altos para financiar determinados projetos, o que, por sua vez, elevou os custos de captação dos hiperescaladores.

A mudança no sentimento dos investidores também deverá pôr à prova as próximas operações bilionárias destinadas a financiar a compra de chips avançados de IA. Bancos de Wall Street estão montando um pacote de financiamento de US$ 60 bilhões para Broadcom e Anthropic, enquanto a SpaceX negocia a captação de US$ 40 bilhões (R$ 199 bilhões) para comprar chips da Nvidia, segundo noticiou o FT. Espera-se que ambas as operações sejam distribuídas a uma ampla base de investidores nos próximos meses.

Mesmo com as maiores empresas de tecnologia do mundo disputando a captação de recursos adicionais, data centers em todos os Estados Unidos começaram a enfrentar oposição local. Moradores temem que essas instalações, que consomem grandes quantidades de energia, afetem o abastecimento de água e a qualidade do ar nas comunidades.

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O gigantesco campus de data centers da Oracle no Novo México, chamado “Project Jupiter”, tornou-se um dos focos da controvérsia. Cerca de US$ 18 bilhões (quase R$ 90 bilhões) em empréstimos vinculados ao projeto estão sob pressão adicional depois que a Oracle emitiu uma notificação de força maior quando o local enfrentou dificuldades para obter acesso à eletricidade. Nos últimos dias, os empréstimos foram cotados de forma privada a cerca de US$ 0,85 por dólar, segundo pessoas familiarizadas com a transação.

“Será que vamos aprender rápido o suficiente com esses erros?”, questionou Jordan Rieger, sócio-diretor e chefe de crédito europeu da Monarch Alternative Capital, referindo-se aos riscos mais amplos do financiamento de data centers.

Ele acrescentou que a recente desaceleração dos novos financiamentos poderia representar uma oportunidade bem-vinda para investidores em dívida reavaliarem o risco de crédito, após terem sido inundados por novas emissões nos últimos meses. “É uma pausa saudável para perguntar: estruturamos corretamente essas linhas de crédito?”

Rob Dafforn, diretor de investimentos da gestora especializada em dívida problemática Polus Capital, afirmou que a “especulação” desenfreada e as operações “altamente alavancadas” no setor significam que alguns investidores já estão pagando mais do que deveriam.

“O custo de financiamento de algumas dessas transações é alto, e, diante dessa incerteza quanto aos prazos [e] aos perfis de retorno, não tenho certeza de onde o valor está realmente se acumulando no sistema”, disse Dafforn.

Fundos de dívida problemática como a Polus têm, em grande medida, permanecido à margem da corrida da IA enquanto as avaliações das empresas disparavam. Embora a gestora de Dafforn tenha começado a mapear a teia de operações de financiamento relacionadas à IA que já foram acordadas, ele ainda não fez nenhum investimento.

O volume de dívida captado para o setor de IA tem poucos precedentes na história moderna, já que sua enorme dimensão transformou a maneira como tanto outras empresas quanto governos emitem dívida. No entanto, a velocidade com que essa tecnologia relativamente incipiente tomou conta dos mercados de crédito também levantou questionamentos.

“Muitas vezes, nós nos vemos em novos setores ou novos ramos construindo os trilhos enquanto conduzimos o trem”, disse Rieger. “Esperamos que ele não descarrile antes que seja tarde demais.”

noticia por : UOL

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