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Cuiaba - MT / 8 de outubro de 2026 - 9:13

Por que nomes conhecidos da direita ficaram sem mandato apesar da onda conservadora

O PL saiu da eleição de domingo com 121 deputados federais, 22 a mais que em 2022 e a maior bancada eleita por um partido na Câmara desde a redemocratização. No Senado, elegeu 19 das 54 cadeiras em disputa e começará 2027 com 28 senadores, a maior bancada de um partido no início de uma legislatura desde 1988. Mas, no mesmo domingo, nomes que o eleitor de direita conhece há anos ficaram sem mandato. Entre eles estão Janaina Paschoal, coautora do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, e o delegado Éder Mauro, um dos primeiros aliados de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados. O voto conservador cresceu, mas se concentrou numa legenda e em poucos puxadores. Quem ficou fora dessa concentração perdeu, tivesse ou não fidelidade ao bolsonarismo para mostrar.

O que o eleitor premiou

“Fizemos a maior bancada jovem conservadora da história do Congresso”, disse Nikolas depois da apuração. Janaina, ouvida pela Gazeta do Povo, chegou a uma leitura parecida do lado de quem perdeu. “À direita, as pessoas queriam votar no PL”, afirma. Ela diz ter sentido nas ruas um desejo de novidade, que explicaria o número de jovens eleitos com votações altas. “A análise de realizações, de currículo, de propostas ficou absolutamente prejudicada.”

Para o cientista político Leandro Consentino, professor do Insper, o eleitor recompensou a lealdade. “Parte dos parlamentares que a gente considerava centrão dentro do PL se tornou mais leal ao bolsonarismo nos últimos tempos”, analisa. “O eleitor reconheceu e premiou esses, e se afastou dos que eram menos leais.”

Consentino também observa que o bolsonarismo já não se resume a Jair Bolsonaro e inclui outros membros da família e agregados como o próprio Nikolas e, possivelmente, o governador Tarcísio de Freitas, reeleito em São Paulo.