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Cuiaba - MT / 25 de setembro de 2026 - 6:31

Comédia 'Youth' mostra vida aos 50 sem filtro de Instagram nem drama de textão

A comédia “Youth”, que estreou com episódio duplo no último domingo (20) na HBO, é quase um romance de amadurecimento. Ao contrário do que o nome ironicamente indica, porém, trata de aprender a navegar a vida não aos 20, mas aos 50, quando as premências, os planos, as prioridades e o corpo mudam mais uma vez, e as possibilidades associadas à “juventude” prometida no título são redescobertas.

Personagens maduros que combatem o estereótipo gasto de envelhecimento não são novidade (vide Samantha Jones, de “Sex and the City”).

Mas, apesar dos avanços médicos e sociais que mudaram a forma de lidar com a longevidade para uma fatia mais ampla de gente, só recentemente as séries passaram a abordar essa fase da vida de forma mais realista, não como uma festa perpétua de gente que renega a idade do documento (vide Samantha Jones, de novo).

As boas “Rooster” e “As Quatro Estações do Ano” são parte dessa safra, mas “Youth”, com seu humor meio bagaceira, é a melhor até agora.

O motivo é a roteirista, diretora, produtora e atriz irlandesa Sharon Horgan, que interpreta a protagonista, Alex, uma editora de livros cujo filho acaba de ir para a faculdade.

Com mais de 20 títulos no currículo, Horgan explica que “Youth” é parte de seu mergulho na autoficção, em uma trilogia improvisada iniciada há 20 anos com “Pulling” e continuada com “Catástrofe” (2015).

As ideias já estavam lá há alguns anos, diz ela em nota para os jornalistas que avaliariam a série, mas foi preciso passar por mudanças na sua vida e no mundo em volta para obter a matéria-prima de fato.

Sua Alex é o que seria considerado, em posts de redes sociais, uma mulher bem-sucedida. Não parece ter dificuldade em pagar boletos, fazer sexo, se comunicar com o filho, encontrar amigos ou ser respeitada por seu trabalho.

O roteiro impiedoso de Horgan, porém, trata esses feitos como parciais. O que mais interessa é o material que jamais seria editado em um “stories” —inclusive nudes feios em uma sauna alemã ou ser surpreendida pela menstruação fora de hora, uma menarca às avessas.

Sem um pingo de senso de autopreservação, Horgan aborda como é difícil orientar um filho que entra na idade adulta às voltas com vídeos redpill e o rebote do movimento MeToo, os cuidados cada vez mais frequentes com pais que envelheceram mais sem terem se preparado para tanto, o equilíbrio delicado entre amizade e hierarquia no trabalho, e aquele mais complexo ainda, entre o pragmatismo forjado pelos anos e as aspirações que deve manter.

E, claro, a vida sexual e amorosa: vale, a essa altura, assumir um novo relacionamento estável, quando você já parece estar no limite de seres humanos com os quais consegue lidar numa única vida? No meio de uma tempestade hormonal sem prazo?

O elenco em volta de Horgan se esmera. Rupert Friend está bem como o par hesitante de Alex, Sharlene Whyte é impagável como a melhor amiga/chefe durona de Alex, e o jovem Aran Murphy, filho de Cillian Murphy, faz um trabalho delicado e bonito como Ruarí (lê-se Rory; é muito irlandês), o filho prestes a virar adulto da protagonista às voltas com as novas e bem-vindas noções de consentimento sexual.

Em alguns momentos, é realidade demais para meia hora de série. Mas o humor ágil da autora a redime.


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noticia por : UOL

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