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Cuiaba - MT / 13 de setembro de 2026 - 18:43

Pressão dos EUA leva bancos de desenvolvimento a abandonar metas de financiamento climático

O acordo da ONU para disponibilizar US$ 1,3 trilhão em financiamento climático está ameaçado, já que se espera que instituições multilaterais de crédito sigam o Banco Mundial e abandonem metas verdes após intensa pressão dos EUA.

Pelo menos dois bancos multilaterais de desenvolvimento —o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Asiático de Desenvolvimento— discutiam a possibilidade de eliminar metas de financiamento climático, segundo pessoas a par das conversas.

A medida ocorre depois que o Banco Mundial afirmou, em junho, que “aposentaria” a meta de destinar 45% de seu financiamento a projetos que proporcionassem “cobenefícios” climáticos.

Um especialista sênior em financiamento ao desenvolvimento afirmou: “Os bancos multilaterais de desenvolvimento estão se curvando às pressões dos EUA. Isso terá consequências enormes”.

Países como Reino Unido e Alemanha, sob crescente pressão orçamentária e política, também devem reduzir o financiamento climático internacional, oferecido para ajudar nações em desenvolvimento a afastar suas economias dos combustíveis fósseis ou a enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.

Sob o governo do presidente Donald Trump, que classificou as mudanças climáticas como uma “farsa”, os EUA têm pressionado bancos multilaterais de desenvolvimento e países a reduzir gradualmente o financiamento verde. Também têm defendido o recuo nas restrições ao financiamento de combustíveis fósseis, segundo um funcionário de um banco de desenvolvimento.

Duas pessoas a par das conversas disseram que o BID, principal fonte de financiamento multilateral da América Latina e do Caribe, vinha sofrendo “pressão real” para abandonar sua meta de destinar 45% dos financiamentos ao clima.

Em 2025, o BID aumentou o financiamento climático em 46% em relação ao ano anterior, para US$ 9,95 bilhões.

O BAD, com sede em Manila, também avaliava se abandonaria sua meta, segundo outras duas pessoas, embora tivesse recebido menos exigências diretas dos EUA.

No ano passado, o BAD comprometeu US$ 13,5 bilhões de recursos próprios com financiamento climático, pouco mais da metade do total de financiamentos assumidos no ano.

“Todos os bancos multilaterais de desenvolvimento com grande participação acionária dos EUA provavelmente abandonarão as metas”, afirmou uma autoridade da área de financiamento ao desenvolvimento.

O BID disse que o financiamento climático tem sido “uma ferramenta importante para acompanhar os esforços e o nível de ambição, mas os volumes de financiamento, por si só, não refletem plenamente os resultados”. O que “realmente importa” é se os investimentos tornam as comunidades mais resilientes, evitam emissões e promovem o desenvolvimento, entre outros indicadores, acrescentou.

“Por esse motivo, estamos estudando como dar maior ênfase a indicadores que meçam impacto e resultados”, afirmou o grupo. Isso “não representa uma mudança em nosso compromisso com a ação climática, nossas políticas ou nossas prioridades operacionais”.

O BAD informou que suas metas de financiamento climático continuam em vigor e serão revistas em 2027, como parte de seu “procedimento institucional regular”.

O banco afirmou estar concentrado em atender à demanda por apoio para aumentar a resiliência a enchentes, secas, elevação do nível do mar e eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, além de apoiar fontes de energia e meios de transporte acessíveis, confiáveis e mais limpos.

Os bancos multilaterais de desenvolvimento têm se tornado uma parte cada vez mais importante dos esforços de financiamento climático. Sua contribuição para os empréstimos a países de renda baixa e média aumentou para US$ 103 bilhões no ano passado, alta de 20% em relação ao ano anterior. Normalmente, esse modelo usa valores relativamente pequenos de capital público integralizado por países doadores como alavanca para captar somas maiores, a juros baixos, nos mercados de capitais e trabalhar com o setor privado.

A eliminação das metas de financiamento climático tornaria mais difícil para as nações desenvolvidas cumprir suas obrigações de fornecer financiamento climático internacional. Os países haviam concordado anteriormente em mobilizar pelo menos US$ 300 bilhões por ano para as nações em desenvolvimento até 2035 e trabalhar para alcançar US$ 1,3 trilhão no mesmo período.

Joe Thwaites, diretor de financiamento climático internacional do grupo de defesa NRDC, argumentou que “os EUA não são o único acionista relevante, e essas instituições tampouco são as únicas opções disponíveis. É bastante sensato que os doadores deixem claro que podem e irão transferir seus recursos”.

Outra autoridade da área de financiamento ao desenvolvimento afirmou que a “imagem” transmitida pelos bancos ao recuarem nas metas de financiamento climático, em um momento no qual incêndios florestais e enchentes devastam grandes populações, era “péssima”.

Também se espera que muitos países reduzam suas contribuições para o financiamento climático nos próximos anos. Uma análise do Greenpeace na Alemanha alertou que dificilmente Berlim cumprirá sua meta de disponibilizar 6 bilhões de euros por ano.

O Reino Unido também reduziu sua ajuda climática internacional, cortando os gastos para 6 bilhões de libras ao longo dos próximos três anos, ante a meta anterior de 11,6 bilhões de libras em cinco anos. No início deste ano, o país reduziu pela metade um compromisso com o Fundo Verde para o Clima da ONU.

Em 2024, o ano mais quente já registrado, o financiamento climático chegou a US$ 2 trilhões, mas a grande maioria dos recursos foi destinada a países desenvolvidos e à China.

noticia por : UOL

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Cuiaba - MT / 13 de setembro de 2026 - 18:43

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