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Cuiaba - MT / 26 de agosto de 2026 - 21:09

Parça do Master precisa revelar as lavanderias do PCC na Faria Lima

Punir quem montou e operou a engrenagem do Banco Master e seus fundos parceiros é medida civilizatória e inegociável. Mas quem exige cadeia para agentes públicos, políticos e magistrados corruptos, e trata agentes do mercado financeiro como meros espectadores ingênuos de sua própria devassidão, dança nu com a seletividade.

Sim, o debate público brasileiro, viciado em seus velhos cacoetes, adora uma rota de fuga conveniente, apontando o dedo para gabinetes em Brasília, enquanto a outra metade da história (aquela que veste colete puffer e despacha em prédios espelhados da Faria Lima) tenta fazer a egípcia. Ou pagar de vítima.

As investigações mostraram que fundos administrados pela Reag movimentavam cifras bilionárias ligadas a esquemas de combustíveis adulterados e fraudes tributárias a serviço do PCC. Paralelamente, como revelaram a Polícia Federal e o Banco Central, a mesma estrutura de fundos servia para uma ciranda mágica com o Master: empresas sem operação real tomavam empréstimos, compravam cotas em fundos da Reag e, em minutos, ativos podres (como créditos imprestáveis de estatais extintas ou terrenos sem valor) eram registrados por quantias astronômicas para maquiar balanços e irrigar o mercado.

Foi com esse malabarismo descarado que o banco empurrou montanhas de CDBs com rentabilidades agressivas para investidores do varejo, sustentados pela muleta do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), deixando um rombo de dezenas de bilhões de reais para o sistema pagar. Enquanto a conta estoura nos fundos de previdência de servidores municipais e estaduais (que viram a economia de uma vida de trabalho virar fumaça), a elite financeira tenta emplacar a tese de “falha pontual de compliance”.

Plataformas de distribuição, grandes corretoras, auditores independentes e comitês de ética possuem equipes sofisticadas, economistas laureados e algoritmos capazes de escanear o histórico de qualquer cidadão comum. Quando o dinheiro do crime organizado e da especulação predatória entra em campo de terno e gravata, contudo, setores da Faria Lima fingem não sentir o cheiro do combustível batizado ou do papel sem lastro. Achar que o Brasil funciona como um picadeiro no qual vale o “topa tudo por dinheiro” desde que a comissão seja polpuda não é arrojo de mercado, mas negligência lucrativa e cumplicidade deliberada.

Trata-se do clássico modelo nacional de privatização dos lucros e socialização dos prejuízos.

noticia por : UOL

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Cuiaba - MT / 26 de agosto de 2026 - 21:09

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