
Como as guerras da Ucrânia e do Irã se cruzam
O mês de julho começou com um leve otimismo para os observadores do Oriente Médio: um acordo inicial de paz entre EUA e Irã, assinado algumas semanas antes, havia conseguido interromper as hostilidades na região, apesar da má vontade de alguns atores, como Israel.
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A esperança logo se fez água, porém. No dia 7 de julho, após investidas do Irã contra navios que ignoraram as ordens do país ao cruzar o Estreito de Ormuz, os EUA voltaram a atacar alvos no país, resultando numa troca de agressões quase diária que se estendeu pelas semanas seguintes.
Mais do que isso, o mês de julho se encerra com ataques em novos fronts e a ameaça de a guerra se alastrar para novos países, inclusive se expandindo para além do Oriente Médio.
Guerra no Oriente Médio se expande
Igor Ramon/g1
Enquanto os EUA concentram seus esforços em manter Ormuz reaberto e os portos iranianos fechados, o Mar Cáspio e o Estreito de Bab-el-Mandeb, que é uma das portas de entradas do Mar Vermelho, foram incluídos do teatro de operações da guerra.
A expansão acontece em dois fronts até o momento:
Ataque da Ucrânia no Mar Cáspio
No último sábado (25), a Ucrânia realizou um ataque contra um navio comercial iraniano no Mar Cáspio. A ação foi uma sinalização de Kiev para a participação da Rússia no conflito, fornecendo armamentos e apoio logístico a Teerã.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que a ação “não pode ficar sem resposta”, levantando dúvidas sobre o risco de as guerras no Oriente Médio e no Leste Europeu evoluírem para um único conflito.
Arábia Saudita e Iêmen
Após os EUA anunciarem um bloqueio naval ao Irã, os rebeldes houthis do Iêmen responderam declarando um embargo marítimo à Arábia Saudita no Estreito de Bab el-Mandeb.
🔍 Os rebeldes houthis, que controlam efetivamente o Iêmen desde 2014, são xiitas aliados do Irã. Já a Arábia Saudita é uma das maiores aliadas dos EUA no oriente Médio. Sauditas e iranianos são comandados por regimes fundamentalistas, respectivamente sunitas e xiitas, e adversários históricos. A Arábia Saudita e os houthis estão em guerra desde a tomada de poder destes, em 2014.
No dia 14, os sauditas atacaram com mísseis o aeroporto da capital iemenita, Sanaa, retomando um conflito que se encontrava numa trégua informal desde 2022. Os houthis responderam.
Agressões mútuas se intensificaram desde então. Os houthis lançaram drones e mísseis contra petroleiros e as cidade portuárias de Jizan e Yanbu, no sul saudita. Instalações da Saudi Aramco, a estatal petrolífera, têm sido alvos preferenciais.
Riad, por sua vez, atacou posições houthis na cidade portuária iemenita de Hodeida.
Imagem de satélite mostra fumaça saindo de uma instalação petrolífera em Abqaiq, no leste da Arábia Saudita, em 27 de julho de 2026.
European Union/Copernicus Sentinel-2/Handout via Reuters
Israel e Líbano
No front mediterrâneo da guerra, Israel e Líbano aderiram ao cessar-fogo. Os dois países assinaram com os EUA um acordo-base para uma paz duradoura em 26 de junho. O Hezbollah não participou da negociação.
Sem troca de agressões, Israel mantém uma ocupação militar parcial em uma faixa do sul do território libanês, sob a alegação de se proteger de ataques do grupo extremista. Algumas das cidades foram entregues ao Exército Libanês.
Israel demoliu cidades inteiras numa faixa de terra ao sul do rio Litani e a Linha Verde delimitada pela ONU, que define a fronteira dos dois países. Diversos moradores tiveram que sair de suas casas, e estima-se que haja mais de 1 milhão de deslocados internos pelo conflito no país.
Outros países
O Irã tem respondido aos ataques dos EUA bombardeando bases americanas em diferentes países do Oriente Médio. Os alvos tem sido os mesmos desde o início da guerra.
O ataque mais letal ocorreu na Jordânia, onde três militares americanos morreram após um míssil balístico atingir o alvo no dia 17 de julho.
Em resposta, EUA e Arábia Saudita lançaram ataques contra bases de uma milícia xiita pró-Irã no Iraque.
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Fonte: G1





