As ações da Yum Brands, dona do Taco Bell, estão em queda desde terça-feira (14), após uma reportagem do Washington Post revelar que autoridades sanitárias federais e estaduais dos Estados Unidos estavam investigando se a alface servida na rede poderia estar associada a um surto de ciclosporíase.
Os casos da doença, que causa diarreia, náusea e outros sintomas gastrointestinais, têm aumentado constantemente nos últimos meses em todo o país. Trinta e quatro estados relataram casos, segundo o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA).
Os papéis, que chegaram a cair mais de 3% na quarta, fecharam a sessão desta quinta-feira (16) com desvalorização de 0,31%, a US$ 152,10. A empresa caminha para registrar, nesta sexta, a maior queda semanal desde janeiro de 2025.
“As autoridades de saúde pública não confirmaram uma ligação com o Taco Bell ou com qualquer ingrediente, fornecedor, restaurante ou varejista específico”, afirmou a empresa, acrescentando que retirou voluntária e temporariamente alguns ingredientes em restaurantes selecionados como medida de precaução.
A rede de fast-food de comida mexicana afirmou que continuará monitorando de perto a situação e seguindo as orientações das autoridades de saúde pública.
Surtos de doenças transmitidas por alimentos podem pesar fortemente sobre as ações de restaurantes. O McDonald’s foi alvo de escrutínio durante um surto de ciclosporíase relacionado a saladas em 2018 e durante um grave surto de E.coli em 2024. A crise de 2024 também afetou o Chipotle Mexican Grill, que registrou prejuízos de vendas e queda no preço das ações.
“A percepção é tão importante quanto os fatos nas fases iniciais de uma investigação de segurança alimentar. Mesmo uma ligação não confirmada a uma doença transmitida por alimentos pode fazer com que os consumidores repensem onde vão comer”, disse Zak Stambor, analista da eMarketer.
“Mesmo que a rede seja, no fim das contas, inocentada, a investigação pode lançar uma sombra sobre a marca e pesar nas vendas no curto prazo”, acrescentou ele.
Os casos confirmados em laboratório relacionados ao recente surto de ciclosporíase subiram para 1.645, informou o CDC na terça, um aumento de mais de 800 casos em relação à atualização de uma semana antes.
O surto atual nos EUA, que começou em 1º de maio, está concentrado no estado de Michigan, embora Ohio e Nova York também tenham tido um número elevado de casos.
As infecções em todo o país resultaram em 141 hospitalizações até 13 de julho, conforme a agência de saúde. Nenhuma morte foi registrada. O CDC informou que também tem conhecimento de mais de 5.100 casos adicionais que exigem análise e confirmação mais aprofundadas.
A ciclosporíase pode ser contraída pelo consumo de alimentos —geralmente frutas e vegetais crus— ou água contaminada com fezes, de acordo com o CDC.
noticia por : UOL






