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Cuiaba - MT / 6 de julho de 2026 - 21:36

A radiografia da crise

A vitória da Inglaterra sobre o México definiu o Brasil com sua pior classificação em Copas desde o fiasco de 1966. Terminará no máximo em décimo lugar, abaixo da nona posição de 1990, só um posto acima do 11º do Mundial inglês, 60 anos atrás.

Impressionante isso acontecer na primeira vez em que a seleção disputa a Copa com um técnico estrangeiro, pedido explícito de grande parte dos analistas do país.

O culpado é sempre o técnico. Mas não é o único. Também não é justo culpar só o ciclo incompleto e tumultuado, com dois presidentes da CBF, quatro técnicos, dez goleiros, 22 laterais, 16 zagueiros, 21 meio-campistas, 26 atacantes, 95 convocados no total.

A Inglaterra começou o ciclo com a sequência do trabalho de oito anos de Gareth Southgate, teve o interino Lee Carsley por seis jogos e Thomas Tuchel desde março de 2025. São só três meses a mais que Ancelotti, mas a sequência organizada pela federação se explica pela base de 49 atletas em quatro anos.

Ter o mesmo técnico e equipe entre uma Copa e outra não é certeza de que dará certo. É como estudar para o exame e aumentar as chances de ser aprovado. O Brasil não estuda faz tempo e quer passar numa prova que era de aritmética há três décadas e se transformou em trigonometria no futebol globalizado.

Ancelotti não trabalhou bem, todos de acordo. Errou ao aceitar a pressão por Neymar, ao convocar 15 jogadores com experiência em perder Copas, o recorde de repetidos em Mundiais, substituiu errado ante a Noruega. Por outro lado, não convém cair na tentação de julgar que o técnico é toda a razão do fracasso.

No Brasil, parece que treinador vem com controle remoto acoplado para dirigir jogadores e solucionar todos os problemas, como se fosse videogame.

A leitura de “Ajax, Barcelona, Cruyff – The ABC of an Obstinate Maestro”, já citado aqui, surpreende pelo capítulo do seminário promovido pela Federação Holandesa depois da desclassificação pela Bélgica, nas Eliminatórias para a Copa de 1986. Não por Cruyff desconstruir Rinus Michels, mas porque houve debate.

O Brasil acaba de perder a sexta Copa seguida e não esboça discutir o que está acontecendo, exceto pela disputa de poder e dinheiro entre CBF e as ligas.

Passou da hora de questionar por que as gerações recentes têm excelentes jogadores, mas não como Ronaldo e Ronaldinho, por que o Brasil não disputou dois dos últimos quatro Mundiais Sub-20 e nos dois em que participou foi eliminado por Israel e Marrocos, por que Ancelotti sai da Copa dizendo que é necessário descobrir novos meio-campistas, por que, por que, por quê?

A seleção precisa recuperar sua identidade de jogo. Passa por menos individualismo dos jogadores pop stars e até da imprensa clubista. Sempre se preferiu seu clube à seleção, mas é um engano julgar que Flamengo, Palmeiras, Corinthians ou São Paulo ganharão mais relevância nas Libertadores de todos os anos se a marca “futebol brasileiro” perder importância.

Estamos virando o México, que tinha o campeonato mais competitivo da América antes do Brasileirão melhorar. Mas ninguém aqui assistiu ao Mexicanozão. Você, por acaso, sabe qual é a cor da camisa do Puebla?

Na Inglaterra, ninguém sabe se o Flamengo joga de verde e o Palmeiras de rubro-negro ou o inverso. Todo mundo reconhecia uma camiseta amarela num campo de futebol.


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noticia por : UOL

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