Por muito tempo, Maradona superou Messi dentro de casa justamente por sua presença na vida dos argentinos — pro bem e pro mal. O mais jovem era visto como um jogador que abandou sua cidade natal, Rosário, aos 13 anos, mais espanhol que argentino. Já Maradona era uma figura onipresente no futebol e na política. Com o passar dos anos, os escândalos do craque com drogas, mulheres e seu errática posicionamento político foram desgastando sua imagem. Em paralelo, Messi crescia, em meio a críticas pela falta de resultados na seleção nacional.
A historia mudou na Copa América de 2021, vencida pela Argentina no Maracanã. “Para as gerações mais velhas, o peso emocional do vivido com Maradona é insuperável. Mas para os menores de 30, que cresceram vendo Messi ganhar tido, quebrar todos os recordes, Leo é um líder indiscutível. Maradona é a eternidade do mito, Messi a perfeição de uma carreira, em todos os sentidos”, explica Claudio Mauri, repórter especial do La Nación.
Rei da era digital
Se a Argentina vencer a Copa de 2026, concordam os jornalistas argentinos ouvidos pelo UOL, a superioridade de Messi ficará consolidada. A popularidade de Maradona, que nasceu numa família pobre da Grande Buenos Aires e representa, para muitos, o sonho da ascensão social num país que já teve a classe média mais invejada do continente, perde a força que já teve em outras épocas.
Hoje não existem mais vozes críticas sobre Messi na Argentina. O craque, que vive uma vida familiar sem sobressaltos, não se mete em política nem em tretas de outros tipos, deixou de despertar revolta pela falta de resultados na seleção. Os tempos de angústia passaram, e hoje o capitão é chamado de Messias, monstro do futebol, rei, imperador, e por aí vai.
“Messi é filho da era digital, das grandes massas digitais, e da globalização em tempo real. Uma jogada de Messi se viraliza em segundos e chega a todo o planeta”, enfatiza o repórter especial do La Nación.
noticia por : UOL





