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Cuiaba - MT / 22 de junho de 2026 - 6:46

Ativista colombiano é preso nos EUA após criticar Espriella, aliado de Trump

O governo Trump deteve um imigrante colombiano esta semana em Phoenix (EUA) depois que ele se manifestou contra um candidato apoiado por Trump na eleição presidencial da Colômbia.

Franklin Humberto Coral Garrido, ativista progressista digital conhecido como Beto Coral, é apoiador do presidente Gustavo Petro da Colômbia, esquerdista que tem entrado em conflito com o presidente Donald Trump.

Coral criticou publicamente Abelardo de la Espriella, candidato de ultradireita apoiado por Trump. O ativista foi preso por autoridades de imigração na terça-feira (16), mesmo dia em que o secretário de Estado Marco Rubio emitiu um memorando determinando que ele era passível de deportação dos Estados Unidos.

No memorando, Rubio disse que Coral chegou aos Estados Unidos em 2015 com visto de turista e tem um pedido de asilo pendente. Mas “Coral Garrido usou sua presença nos Estados Unidos para conduzir atividade política em apoio ao governo Petro” e protestou contra um candidato à Presidência”, escreveu Rubio, de acordo com uma cópia do memorando obtida pelo New York Times.

“Permitir que Coral Garrido permaneça nos Estados Unidos prejudica os interesses da política externa dos EUA nos processos democráticos da Colômbia e sinaliza que estrangeiros podem usar plataformas americanas para conduzir campanhas de desinformação politicamente motivadas e litígios visando atores democráticos estrangeiros sem consequências”, disse Rubio.

O memorando vem após um ano em que Rubio usou seu poder como secretário de Estado para visar imigrantes individualmente. Em memorandos anteriores, ele recomendou que indivíduos específicos fossem deportados pelo Departamento de Segurança Interna, argumentando que sua permanência nos Estados Unidos prejudicava a política externa.

A maioria de seus memorandos se concentrou em imigrantes que haviam protestado contra Israel de alguma forma, incluindo Mahmoud Khalil, estudante da Universidade Columbia preso por autoridades de imigração no ano passado.

O memorando mais recente parece ser a primeira vez que Rubio usou essa autoridade para recomendar a deportação de um ativista relacionado a uma eleição estrangeira.

O Departamento de Estado não respondeu aos pedidos de comentário.

Coral, 40, é originalmente de Medellín, na Colômbia. Recentemente, ele se manifestou contra Espriella, ex-advogado criminalista que enfrentou candidato do partido de Petro, Iván Cepeda, no segundo turno neste domingo (21).

Um outsider político, a ascensão de Espriella polarizou os colombianos. Alguns abraçaram sua mensagem de segurança linha-dura, enquanto outros alertam que ele poderia colocar em risco as liberdades civis.

Coral havia viajado para Miami dias antes de sua prisão, onde ele e outros ergueram cartazes desencorajando membros da diáspora colombiana de votar em Espriella.

Coral disse que também estava em Miami para entrar com um processo contra Espriella. No final de maio, Coral apresentou uma queixa ao FBI acusando o advogado de gravar ilegalmente conversas telefônicas entre os dois e postar o áudio online, levando a assédio.

Espriella havia contatado Coral em nome do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, que havia movido um processo acusando Coral de difamação.

“Em várias ocasiões, ele havia contatado Beto para que ele se retratasse de suas declarações” sobre Uribe, disse a ex-companheira de Coral, Tatiana Camacho.

Na terça-feira, Coral foi interceptado por agentes do ICE quando retornava para sua casa em Phoenix com o filho de 12 anos do casal e seu cachorro, disse Camacho. Coral ligou para Daniel Coronell, proeminente jornalista colombiano, que compartilhou um vídeo feito por Coral, divulgando a notícia da prisão de Coral enquanto ela acontecia.

“Coral Garrido entrou no país em dezembro de 2015 com um visto B1/B2 que lhe permitiria permanecer no país por seis meses”, disse o Departamento de Segurança Interna em comunicado. “Em violação às leis de nossa nação, ele excedeu o prazo de seu visto por dez anos. Ele permanecerá sob custódia do ICE aguardando procedimentos de remoção.”

Gimena Sánchez, diretora para os Andes do Washington Office on Latin America, disse que a medida foi uma escalada descarada do governo Trump. “A mensagem é que você não pode se opor, criticar ou protestar contra alguém que o governo dos EUA considera ser um amigo próximo”, disse ela, observando que a defesa de Coral não dizia respeito aos Estados Unidos.

Camacho disse em entrevista que Coral havia solicitado asilo após chegar com visto de turista há mais de uma década. Ela disse que ele havia mostrado aos agentes que o prenderam seus documentos de solicitação de asilo e uma autorização de trabalho válida concedida por um juiz federal. Coral disse a ela que os agentes lhe mostraram uma “carta” de Rubio que encerrava sua autorização de trabalho e autorizava sua prisão.

Espriella passou mais de uma década na Flórida, onde foi naturalizado cidadão americano em 2023. Ele representou clientes colombianos de alto perfil, muitos enfrentando acusações criminais na Colômbia relacionadas a tráfico de drogas e corrupção. Ele processou dezenas de jornalistas, a quem frequentemente se refere como “ativistas”.

Se eleito, ele prometeu “estripar a esquerda”.

Desde que avançou para o segundo turno na eleição da Colômbia e ganhou o apoio de Trump —junto com o apoio vocal de parlamentares republicanos nos Estados Unidos, incluindo o senador Bernie Moreno, de Ohio— Espriella disse aos oponentes que os perseguirá agressivamente com a ajuda dos Estados Unidos.

Pouco antes da prisão de Coral, Espriella afirmou nas redes sociais que haveria “boas notícias para colombianos patriotas no exterior”. Ele postou imagens referindo-se ao vice-secretário de Estado Christopher Landau, que ficou conhecido por revogar vistos de estrangeiros considerados ameaças aos interesses dos EUA.

Espriella não comentou diretamente a prisão e não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

noticia por : UOL

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