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Cuiaba - MT / 23 de abril de 2026 - 14:42

"Esqueceu de indiciar colegas de milícia", dispara Gilmar contra relator da CPI do Crime Organizado

DO REPÓRTERMT

O decano do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, desferiu críticas contundentes nessa terça-feira (14) contra o relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). A reação ocorre após a tentativa do parlamentar de indiciar magistrados da Corte e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em um movimento classificado pelos ministros como “abuso de autoridade” e “estratégia eleitoreira”.

O relatório, que pedia o indiciamento de Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, acabou rejeitado por 6 votos a 4 após forte articulação no Senado. Inconformado com a investida, Gilmar anunciou o envio de uma representação à PGR (Procuradoria-Geral da República) para que a conduta do senador seja investigada. “Causa espécie que o relator tenha se esquecido de indiciar seus colegas de milícia”, afirmou o decano, em alusão ao fato de Vieira ser delegado da Polícia Civil.

Desvio de finalidade

O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, também saiu em defesa dos colegas. Em nota oficial, Fachin manifestou repúdio enfático à inclusão dos nomes no relatório e apontou um claro “desvio de finalidade” do colegiado. Para a cúpula do tribunal, a CPI — criada para investigar o avanço de grupos criminosos — foi utilizada como ferramenta de exposição midiática contra o Judiciário.

Gilmar Mendes comparou as táticas do relator aos métodos da Operação Lava Jato, afirmando que o objetivo era o “emparedamento” institucional. “Cada qual reage de alguma forma a esse tipo de contingência. Alguns enfrentam. Eu, como sabem, adoro ser desafiado”, declarou o ministro ao abrir a sessão da Segunda Turma.

Natural de Mato Grosso, o decano usou expressões regionais para sinalizar que não recuará diante do embate com o Legislativo. “Lá no meu Mato Grosso as pessoas dizem: ‘Não me convidem para dançar, porque eu posso aceitar’. Me divirto com isso. Assombração aparece para quem acredita. São fantasmas que não amedrontam, são fantoches“, disparou.

O ministro ressaltou ainda que a CPI, instaurada após operações violentas no Rio de Janeiro que deixaram mais de 100 mortos, falhou em sua missão principal ao não aprovar quebras de sigilo de milicianos reais, focando, em vez disso, em um “erro histórico” contra os membros do Supremo.

Com informações da Folha de São Paulo.

FONTE : ReporterMT

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