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Cuiaba - MT / 20 de março de 2026 - 16:02

Vivi para ver Moro no PL do Valdemar

O senador Sergio Moro se filiou ao PL, partido do cacique e mensaleiro Valdemar Costa Neto. Os entendidos nas artes macabras da politicagem dizem que o movimento pretende garantir duas coisas: a eleição do ex-juiz da Lava Jato ao governo do Paraná e um palanque forte para Flávio Bolsonaro no estado. Pode ser.

E também pode não ser. Não importa. O que importa é que o senador Sergio Moro entrou para o partido de Valdemar Costa Neto. E aqui não vou dizer que foi sem constrangimento só porque Moro parece o tempo todo constrangido. O que é totalmente compreensível depois de tantos chutes para o mato. Constrangimentos à parte, essa história me fez pensar em dois textos antigos que publiquei nesta Gazeta do Povo.

#SimoneWeilTemRazão

O primeiro fala de um panfleto escrito pela grande Simone Weil há quase cem anos, no qual ela defende, meio à sério meio de brincadeira, o fim dos partidos políticos. Uma quimera – eu sei, você sabe e a Simone Weil sabia. Mas o argumento central é interessante, senão na prática, na teoria. Nem que seja para gerar uma discussão daquelas na mesa do bar.

Em resumo bem resumido, Weil diz que os partidos políticos, apesar de essenciais à engrenagem democrática, têm o dom de esmagar a individualidade e de submeter o correligionário à vontade nem sempre virtuosa (raramente virtuosa) da maioria ou, pior!, do líder do grupo. O que me parece de uma lógica irrefutável. Difícil ver Moro no PL de Valdemar da Costa Neto e não pensar que #SimoneWeilTemRazão.

Muito estranho

O outro texto a que faço referência, autorreferência, é um que escrevi quando Sergio Moro e Deltan Dallagnol anunciaram que estavam entrando para o mundo da política. Um movimento que, na época, eu via com alguma esperança e hoje nem tanto. Lembro-me de perguntar se os dois arautos da luta anticorrupção conseguiriam atravessar o pântano da política sem se sujar na lama dos conchavos. Se conseguiriam sobreviver sem se submeterem à lógica estranha dos partidos. E…

Bom, Moro anunciou a filiação ao PL de Valdemar Costa Neto. Preciso falar mais? Preciso mesmo? Tem certeza? Então falo: na lógica da política, a filiação de Moro ao PL de Valdemar pode fazer sentido. Muito sentido até. Fundo eleitoral, palanque, eleição dada como certa. Mas, para quem acreditou que “aquele pessoal da Lava Jato” era diferente, sei lá, é estranho. Não necessariamente errado, mas estranho. Muito estranho. Ainda mais para alguém tão zeloso da própria biografia.

noticia por : Gazeta do Povo

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Cuiaba - MT / 20 de março de 2026 - 16:02

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