Américo Vermelho cultivava uma paixão profunda por fotografia e pessoas, o que se tornou um fio condutor em sua vida. A trajetória desde o Paraná até o Rio de Janeiro foi construída por meio das centenas de fotos que tirou e dos amigos que fez pelo caminho.
Ao longo dos seus anos de carreira como fotógrafo, Américo fez de tudo: do fotojornalismo ao institucional, da câmera analógica ao drone e do preto e branco ao colorido. O fator constante era seu olhar único e sensível. Como definiu sua amiga Elisa Nascimento, presidente do Ipeafro (Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros): “Ele tinha uma sensibilidade cultural impressionante”. Tanto que foi um dos responsáveis por ajudar na montagem do acervo do instituto.
Seu trabalho foi reconhecido por muitos jornalistas, artistas, empresas e até arquitetos, que acompanhavam suas séries de fotografias de rua. Essa era, inclusive, uma das partes mais importantes de seu trabalho: suas fotos de lugares, fossem estações ferroviárias, ruas ou construções, sempre foram destaques de seu portfólio.
Américo também tinha uma outra paixão, que seu filho Ian Vermelho destacou: “Além da fotografia, a paixão maior do meu pai eram as pessoas”.
E essa predileção fez com que o fotógrafo se tornasse uma unanimidade nos ciclos sociais dos quais participava, como diz seu amigo de longa data Milton Guran: “Não conheço uma pessoa que não goste do Américo”.
Para Ricardo Beliel, fotógrafo e amigo próximo, Américo também amava a vida. Não por acaso, até seus últimos dias ele seguia tirando fotos, vendo sua família, indo a bares e visitando seus amigos. Se tem algo que ele fez, foi viver intensamente.
Mesmo aos 72 anos, o fotógrafo sempre buscava se adaptar ao mundo ao seu redor, aprendendo a utilizar drones e celulares para suas fotos.
Natural de Apucarana, no Paraná, ele nasceu em 1954 e se formou em comunicação social na Universidade Católica do Paraná, em Curitiba. Enquanto ainda estudava, começou como repórter cinematográfico da TV Paraná. Depois, no final dos anos 1970, especializou-se em fotojornalismo e passou por alguns dos principais jornais do país, como Estado do Paraná, O Estado de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil, além das revistas Senhor, Veja e IstoÉ. Apesar de ter mudado para outra área, manteve-se ativo como fotógrafo até o fim da vida.
Américo Vermelho morreu no dia 8 de fevereiro, de causas naturais enquanto dormia. Ele deixa três filhos, uma filha, dois netos e incontáveis amigos e fotos.
noticia por : UOL




