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Escrivães e policiais com cartazes em frente à diretoria da Polícia Civil, em Cuiabá
GUSTAVO CASTRO
DO REPÓRTERMT
Dezenas de escrivães e investigadores da Polícia Civil de todo o estado realizaram um protesto na tarde desta segunda-feira (10), na Avenida Coronel Escolástico, em Cuiabá. A mobilização, organizada pelos sindicatos das categorias (Sinpol-MT e Sindepojuc-MT), bloqueou parcialmente o trânsito e teve como pauta central a reestruturação dos cargos e o reajuste salarial dos servidores.
Os manifestantes se reuniram em frente à sede administrativa da Polícia Civil, com faixas e cartazes que chamavam atenção para a desvalorização da categoria. Em um deles, lia-se a frase: “Enquanto o crime se organiza, o Estado desvaloriza quem combate.” Em outro, era possível ver: “Salário justo e digno, compatível com risco da responsabilidade“.
Segundo o presidente do Sinpol-MT, Gláucio Castañon, o protesto é um alerta ao governo sobre as condições precárias de trabalho e a falta de efetivo, especialmente em municípios do interior. Ele afirma que os profissionais têm ultrapassado a jornada de 40 horas semanais para dar conta da demanda.
“Nossa principal reivindicação é a reestruturação dos cargos. Qualquer outra gratificação que o governo queira conceder é bem-vinda, mas o que buscamos é uma estrutura compatível com as demais carreiras de nível superior”, destacou Castañon.
O sindicalista relatou que há cidades com apenas três ou quatro policiais civis responsáveis por todo o atendimento. Nessas localidades, os servidores precisam permanecer 24 horas de plantão, o que compromete o trabalho de investigação.
“Temos delegacias em cidades pequenas com efetivo mínimo. O policial precisa tirar plantão e, mesmo na folga, voltar para investigar. É humanamente impossível manter esse ritmo por muito tempo”, afirmou.
Os sindicatos pedem que o governo estadual abra diálogo ainda este ano, antes do período eleitoral de 2026, quando negociações salariais ficam suspensas. Caso as reivindicações não avancem, a categoria promete deflagrar a chamada “Operação Legalidade”, cumprindo rigorosamente apenas o que está previsto em lei — o que, segundo Castañon, afetaria o funcionamento da Polícia Civil em todo o estado.
“Se aplicarmos a lei de forma rígida, a Polícia Civil para. Hoje, o sistema só funciona porque os servidores trabalham muito além do que é pago”, concluiu o presidente.
A assessoria da Polícia Civil e a Secretaria de Comunicação do Estado (Secom) foram procuradas, mas não se manifestaram até a publicação desta matéria.
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FONTE : ReporterMT






