Não há muitos jovens no parque Jardim da Luz, nem praticantes de corrida ou famílias. Tampouco se vê grupos com pessoas conversando. Numa tarde qualquer durante a semana, o que mais se nota é gente calada, com aparência triste. São homens e mulheres sentados nos muitos bancos que há por ali ou andando a esmo e olhando a vida passar.
Apesar de estar bem cuidado, com os gramados aparados, árvores frondosas, lindas esculturas e o lago cheio, ele tem um ar melancólico, desanimado. Parece que está fora do tempo. A movimentação mais intensa se limita à alameda principal que serve de passagem para os transeuntes que circulam da estação de trem até o bairro do Bom Retiro e vice-versa.
O lugar ainda tem fama de inseguro, mas, desde agosto de 2024, conta com uma base da Polícia Militar e com a presença da Guarda Civil Metropolitana. Durante um longo tempo ficou estigmatizado como local de prostituição, venda de drogas e depredações. Em 1999, passou por uma profunda reforma, mas ela não foi capaz de recuperar seu viço. Houve outros restauros posteriores.
Parque mais antigo da cidade —completa 200 anos em novembro—, ele já foi uma referência da elite. Havia ali no passado muito mais agitação. Foi um ponto de encontro da sociedade paulistana até a primeira metade do século passado e palco de eventos de italianos que se juntavam em torno da estátua de Giuseppe Garibaldi, inaugurada em 1910 com a presença ilustre do poeta Olavo Bilac.
Quando surgiu, na chamada região do Guaré, entre as várzeas do Tamanduateí e do Tietê, era um jardim botânico com árvores nativas e exóticas. Essa função foi sendo modificada e, em 1838, ele virou um parque público destinado ao lazer da população. Chegou a ter um zoológico só com animais da fauna brasileira.
Hoje, apesar da sensação de marasmo, o parque é cercado por vários equipamentos culturais, como a Pinacoteca, a Pina Contemporânea, o Museu da Língua Portuguesa, a Sala São Paulo e o Memorial da Resistência. Não dá para dizer que ele esteja decadente, a situação já foi muito pior. O que falta é ele ser realmente ocupado pela população.
A prefeitura tem várias iniciativas para animá-lo, como visitas guiadas e outras atividades que visam atrair mais frequentadores. A Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa lançou quarta-feira (1º) uma consulta pública para atrair projetos que celebrem o bicentenário do parque por meio do desenvolvimento de atividades artísticas e culturais de integração comunitária e de valorização histórica.
Sua área total é de 113 mil metros quadrados, mas ele já foi maior. O espaço ocupado atualmente pela estação da Luz estava dentro de seus limites no século 19. Assim como a Pinacoteca, que antes era o Liceu de Artes e Ofícios. O parque é tombado pelo Condephaat e pelo Conpresp.
O Jardim da Luz tem várias atrações. A mais recente está na área próxima à Pinacoteca. Foram instaladas duas dezenas de esculturas de artistas como Lasar Segall, Victor Brecheret, Sonia Ebling, Nuno Ramos e Amilcar de Castro, que merecem uma visita.
Há também atrações históricas, como o coreto, de 1880, onde havia apresentações musicais de colônias de imigrantes e bailes, a casa do administrador, a gruta e o mirante, o ponto do bonde e o primeiro aquário da cidade de São Paulo, com peixes do rio Tietê, descoberto na reforma de 1999. Tem também o lago, cujo formato é de uma cruz de malta. O Jardim da Luz é belo e agradável. Mas tem uma aura de tristeza.
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noticia por : UOL




