Anúncio

Cuiaba - MT / 9 de março de 2026 - 17:03

Agência ambiental dos EUA vai parar de coletar dados de emissões de empresas poluidoras

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) tomou medidas nesta sexta-feira (12) para acabar com a exigência de que milhares de instalações poluidoras relatem a quantidade de gases de efeito estufa que liberam no ar.

A proposta encerra as exigências para milhares de usinas a carvão, refinarias de petróleo, siderúrgicas e outras instalações industriais em todo o país. O governo coleta esses dados desde 2010, e eles são uma ferramenta fundamental para rastrear dióxido de carbono, metano e outros gases que impulsionam as mudanças climáticas.

O anúncio ocorre enquanto o governo de Donald Trump tem apagado menções às mudanças climáticas de sites governamentais e cortado drasticamente o financiamento federal para pesquisas sobre o aquecimento global.

“Junto com o presidente Trump, a EPA continua cumprindo a promessa de liberar o domínio energético que alimenta o sonho americano”, disse Lee Zeldin, administrador da EPA, em um comunicado. “O Programa de Relatório de Gases de Efeito Estufa não é nada mais do que burocracia.”

Zeldin disse que o fim do programa economizará para as empresas americanas até US$ 2,4 bilhões (R$ 12,8 bilhões) em custos de conformidade. O jornal The New York Times não conseguiu verificar essa afirmação de forma independente e representantes da EPA não responderam a um pedido de comentário.

Críticos afirmaram que a proposta pode prejudicar os esforços federais para combater as mudanças climáticas, já que o governo não tem como reduzir as emissões se não puder medir quantos gases são gerados e onde são produzidos.

“Com essa medida, eles estão retirando a capacidade prática e material do governo federal de realizar os elementos básicos da formulação de políticas climáticas”, disse Joseph Goffman, que liderou o escritório de ar da EPA durante o governo de Joe Biden.

Nos últimos 15 anos, o Programa de Relatório de Gases de Efeito Estufa coletou dados de cerca de 8.000 das maiores instalações industriais do país. Esses dados ajudaram a orientar numerosas decisões sobre políticas federais e são compartilhados com a Organização das Nações Unidas, que exige que os países desenvolvidos apresentem contagens de suas emissões.

Além disso, empresas privadas frequentemente dependem dos dados do programa para demonstrar aos investidores que seus esforços para reduzir emissões estão funcionando. E as comunidades frequentemente os utilizam para determinar se instalações locais estão liberando poluição do ar que ameaça a saúde pública.

A proposta da EPA não elimina diretamente os requisitos de relatórios de emissões para certas instalações de petroleiras e oleodutos que transportam gás natural. Isso porque esses relatórios foram exigidos pelo Congresso como parte do Inflation Reduction Act (Lei de Redução da Inflação), a política climática aprovada em 2022.

Em vez disso, a EPA quer permitir que essas instalações específicas de petróleo e gás adiem os relatórios de emissões até 2034. Congressistas republicanos já adiaram uma exigência relacionada para que as instalações paguem uma taxa sobre suas emissões de metano até 2034.

Representantes de grupos comerciais e lobistas da indústria de petróleo e gás, incluindo o American Petroleum Institute, não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

A proposta segue uma série de medidas do governo Trump para enfraquecer ou desmantelar proteções ambientais.

Em julho, a EPA tomou medidas para revogar a conclusão científica que sustenta a autoridade legal do governo para combater as mudanças climáticas. E, nas últimas semanas, a Casa Branca direcionou agências para travar a indústria de energia eólica offshore do país, fonte importante de eletricidade livre de emissões.

As Nações Unidas exigem que todos os países desenvolvidos signatários do Acordo de Paris de 2015 forneçam informações sobre suas emissões domésticas a cada ano. Mas os Estados Unidos perderam o prazo de abril para enviar seus dados, e Trump iniciou o processo de um ano para se retirar do tratado em seu primeiro dia de volta ao governo.

noticia por : UOL

Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram
Anúncio

Cuiaba - MT / 9 de março de 2026 - 17:03

LEIA MAIS

Anúncio