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Cuiaba - MT / 7 de março de 2026 - 0:21

Mortes: Marcou carreira com crítica política afiada e bom humor

Se Jorge Braga já sabia ler antes mesmo de entrar para a escola, ele também foi adiantado na carreira profissional. Foi aos 13 anos que o adolescente recém-chegado a Goiânia começou a trabalhar como cartunista no jornal semanal Cinco de Março.

Nascido em 1957 em Patos de Minas, no Triângulo Mineiro, Jorge dos Reis Braga aprendeu a ler e a escrever com os gibis, seu principal meio de comunicação com o mundo.

Espirituoso, logo foi achando outras formas de se expressar. Foi ator, poeta, humorista, amante do Carnaval e até candidato a deputado federal constituinte. Com seu comitê de campanha móvel instalado em uma carroça, marchou até Brasília com o lema “Se não melhora, também não estraga”. Tudo registrado, entre outros causos, no documentário “A Vida é um Risco”, dirigido por Ângelo Lima.

Ainda na infância, a primeira produção era feita com mimeógrafo e vendida aos colegas da escola. Toda a renda tinha um destino. “Comprar mais gibis”, diz Juliana Braga de Ávila, 38. O pai, ela lembra, sempre foi “muito menino” e brincalhão, o que o levou, por exemplo, a integrar a trupe do Show do Esqueleto, peça produzida há décadas por alunos de medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), cujo texto faz crítica social com humor.

Além de dar vida aos personagens Super Badião, Romãozinho e Perebão, Jorge Braga também teve um bar, o Cavalhadas, e lançou publicações de humor e crítica política, como a revista Badião e o jornal Zé Ferino. Em 1994, o nome de Jorge batizou a gibiteca do estado de Goiás, instalada no Centro Cultural Marieta Telles, em Goiânia, com mais de 6.000 exemplares e parte do acervo doada pelo autor.

Quando lançou Romãozinho em 1987, Jorge Braga inspirou outro cartunista, adolescente assim como ele quando iniciou a carreira. “Ele viu minhas histórias e disse para parar de ler Pato Donald e ler tudo de Turma da Mônica, que isso ia melhorar meu roteiro”, diz o cartunista Christie Queiroz, 52, que criaria mais tarde a Turma do Cabeça Oca.

Em 1989, tornaram-se colegas de Redação em O Popular, onde Jorge havia iniciado a carreira 12 anos antes. A amizade entre os dois virou trio, com a participação do cartunista Ziraldo, morto em 2024, que tinha Jorge como um filho.

O encanto por cultura e por ídolos como Walt Disney nunca diminuiu, lembra a filha, que via no pai o mesmo entusiasmo durante as viagens para o parque temático. Quando chegaram os netos, em especial Isadora, 9, tratou de ensiná-los a desenhar.

Jorge Braga morreu em 1º de julho, aos 68 anos, em decorrência de um enfisema pulmonar e em meio ao tratamento de um câncer de pulmão. Ele deixa os filhos Juliana e Flávio Braga, 36, três netos e um legado para o cartum brasileiro.

Crítico afiado, foi lembrado por diferentes associações de imprensa, jornais e políticos, entre eles o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil).

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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noticia por : UOL

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